Projeto Revisoras
Julia n 570


Sonho Proibido
Beyond Compare
Penny Jordan



Resumo

Drew no queria um amor de mentira mas desejava ter Holly em seus braos!

Drew, um antigo colega de escola de Holly, havia se transformado num homem msculo e sedutor. Holly o considerou a pessoa certa para despertar o cime de Howard, 
seu ex-noivo. Porm, no baile a que foram juntos, ningum achou que a paixo demonstrada nos beijos, abraos e olhares provocantes fosse apenas fingimento... Rose 
Jensen, namorada de Drew, tambm no gostou nada de ver aquela intrusa nos braos de Drew e, com dio, prometeu que teria a sua vingana...



Digitalizao Joyce
Reviso Simone Ribeiro
Capitulo I


       -  E ele teve a coragem de convid-la para sua festa de noivado? - perguntou Janet Holme, indignada.
       -  Sim. No posso nem inventar uma desculpa para no ir, pois ele j sabe que estou livre neste fim de semana. Quando me pediu para no assumir nenhum compromisso, 
pensei que fosse me fazer alguma proposta. Alm do mais, no posso me ausentar, todos da nossa turma estaro l e se eu no for... - Holly Witchell explicou em tom 
melanclico.
       -  Sim, entendo. A nica sada seria voc ir acompanhada de algum outro homem.
       -  Para provocar cime, voc quer dizer?  claro! Mas onde vou conseguir algum adequado e que esteja disponvel? - Holly perguntou, parecendo subitamente 
entusiasmada.
       -  No, no para fazer cime. Ele vai ficar noivo de outra pessoa, Holly. O que eu quis dizer  que se voc tivesse algum com quem ir  festa de noivado, 
levantaria seu ego e se sentiria melhor.
       -  Nada far com que eu me sinta melhor. Eu o amo, Jan - Holly admitiu tristemente, parecendo sentir pena de si mesma.
       Janet duvidava dos reais sentimentos de sua funcionria predileta. Sob aquele ar de pretensa sofisticao, Holly mal sabia o que era amor. Aos vinte e dois 
anos, era ainda bastante ingnua e, provavelmente, estava mais apaixonada pelo amor do que pelo rapaz em questo.
        Quando chegou a Londres, mostrou-se bastante insegura e Jan desde esse tempo preocupara-se com ela.
       -  A festa de noivado vai ser realizada em Londres?
       -  No. Rose, a noiva, quer que a festa seja feita na casa dos pais dela no interior. Sua famlia  a mais rica do lugar e ela tem muito orgulho disso. Muito 
dinheiro... voc sabe como .
       -  Sem dvida - Jan concordou. Decoradora de interiores bem-sucedida, Jan tinha uma excelente clientela, mas no apreciava esse tipo de pessoas que Holly 
acabara de descrever.
       -  Todos nossos amigos estaro l. Rose e eu estudamos na mesma classe e j naquele tempo eu no sentia nenhuma simpatia por ela. No posso entender por que 
ele no disse nada antes. Deveria saber que eu esperava que me fizesse alguma proposta - Holly comentou de modo incoerente.
       -  Os homens, s vezes, so covardes - Jan falou gentilmente. Embora muito inteligente e bonita, Holly parecia, bastante ingnua a respeito  do comportamento 
masculino. Nesses doze meses em que a garota trabalhara para ela, Jan pudera perceber que ela tinha muito pouca experincia com o sexo oposto.
       Na verdade, fora superprotegida durante a infncia. Seus pais eram bastante idosos e, depois de aposentados, moravam na Nova Zelndia com um outro filho casado. 
Jan sabia tambm que os pais de Holly ainda possuam a casa na qual ela fora criada e que estava alugada no momento.
       -  Mas ele podia ter dito algo a respeito - Holly voltou a insistir.
       -  Deveria ter dito algo, mas acho que no teve coragem suficiente. H quanto tempo ele e Rose esto namorando?
        - Ele no disse, mas tenho certeza de que no faz muito tempo, Rose nunca vem a Londres e ele deve ter comeado quando fomos passar o Natal na casa dos pais 
de Howard. Eu no simpatizei muito com a me dele, e ela pareceu no me achar suficientemente boa para seu filho... s Deus sabe o que Drew deve estar sentindo - 
ela acrescentou, desesperanada.
        -  Drew? - Jan indagou, acostumada aos pensamentos sem lgica de Holly.
        -  Sim. Drew Hammond. Ele e Rose namoravam desde o ginsio, assim como Howard e eu. Sempre pensei que eles se casariam logo, embora, para ser franca, formem 
um casal bastante estranho. Rose gosta de vida social agitada e muito movimento. Drew  totalmente diferente, gosta do sossego da sua fazenda, e  muito p no cho.
        - Parece interessante. Gosto deste tipo de homem - Jau comentou.
        - Ah, todos gostam de Drew, sem dvida, porm no  o tipo que faz seu corao disparar.
        - Bem, j que voc precisa ir  festa e cumprimentar o feliz casal, sugiro que v vestida em alto estilo. Muito brilho e todo o glamour possvel - Jan aconselhou.
        -  No compro um vestido h anos. Estava economizando para... - comeou a explicar e seu lbio inferior tremeu como se fosse chorar.
        -  Chega de lgrimas, querida. Acho que voc est melhor sem ele. Na verdade, jamais gostei de Howard. Olhe, no temos muito trabalho esta semana. Por que 
no tiramos a tarde livre amanh e vamos fazer algumas compras? Eu tambm estou precisando de algo novo. Luke tem um jantar com um cliente importante na semana que 
vem e ele gostaria de me ver deslumbrante.
        Luke era o marido de Janet. Um homem forte, de estura mdia, dono de um sorriso capaz de elevar as temperaturas femininas facilmente. Holly sentira-se um 
tanto intimidada pela personalidade forte de Luke, o que deixou Janet aliviada. Cansara-se de ver suas funcionrias passarem mais tempo flertando com seu marido 
do que trabalhando. Luke era um contabilista de sucesso, com muitos clientes importantes, e cuidava tambm dos negcios da esposa.
        Dois dias mais tarde, com seu vestido novo cuidadosamente embrulhado, Holly partiu em seu carro para Cheshire.
        A ltima vez que fizera essa viagem fora no Natal, com Howard. Era outubro agora e no ano seguinte ele se casaria com Rose.
        Inconscientemente diminuiu a presso do p no acelerador. Howard devia imaginar como ficara chocada com a notcia de seu noivado. Saam juntos desde que 
deixaram a escola. Ela o havia seguido at a universidade e mais tarde a Londres, onde ambos trabalhavam.  certo que algumas vezes ele a tratava com displicncia, 
desmarcando encontros, esquecendo-se de telefonar, j que seu emprego como vendedor o obrigava a viajar de um momento para o outro. De qualquer forma, desfrutavam 
de um relacionamento amistoso e firme... To firme, na verdade, que ela o havia perdido para outra. Para aquela horrvel loira de olhos azuis, Rose Jensen.
        Holly afastou uma mecha do cabelo escuro que lhe caa no rosto; desde que Howard lhe dera a notcia, no havia dormido bem e tambm perdera peso. No que 
isso lhe prejudicasse a aparncia. No era gorda, mas jamais poderia se comparar  figura elegante e esguia de Rose. 
        Porm, Howard no podia estar apaixonado por ela, refletiu teimosamente. Estava apenas ofuscado pela riqueza de seus pais.
        Holly mordeu os lbios, lembrando-se de como ficara abalada ao ouvi-lo enumerar as propriedades dos pais de Rose: uma vila na Espanha, o iate, os carros... 
        Justamente Howard que sempre fora to ctico com pessoas do tipo
dos Jensen.
        Bem, podia no ter pais ricos, cabelos loiros e olhos azuis, mas dentro de seu vestido novo, de pura seda vermelha, que lhe acentuava as curvas do corpo, 
poderia pelo menos fingir que possua tudo isso. 
        Porm,  medida que dirigia, foi perdendo a autoconfiana; o que mais lhe doa era o fato de Howard no ter sido capaz de lhe dizer uma nica palavra sobre 
o que estava acontecendo. Deixara-a pensar que ele ainda a amava e ela, por seu lado, continuava a encontrar desculpas para seu procedimento distante.
        Holly no pretendia desistir, ela o teria de volta a qualquer custo. Sentia que ele logo se cansaria de Rose e de seus pais, refletiu, confiante.
        Embora ingnua em relao ao sexo masculino, nos aspectos prticos da vida, especialmente trabalho, como Janet notara satisfeita, Holly mostrava-se absolutamente 
competente.
        Planejara a viagem para Cheshire com um cuidado especial. Tinha um ms de frias vencidas, que poderia ter tirado no vero, mas como a maioria do pessoal 
escolhera essa data, para no sobrecarregar Janet de trabalho, deixara para tirar agora nessa poca calma que antecedia o Natal.
No havia hotel no lugarejo, mas ocasionalmente se podia alugar quartos no bar local, e como Holly tinha muita amizade com o casal de donos, no teve dificuldade 
em conseguir acomodao.
        Deixara Londres depois de passada a hora de maior movimento, tendo o cuidado de telefonar antes para Janet, a fim de certificar-se de que nenhum trabalho 
de ltima hora havia aparecido.

        -  Se eu tivesse apenas duas funcionrias como Holly, dirigir esta firma seria muito fcil. Ela  uma garota especial, alm de ser uma artista de primeira 
classe - Janet comentou com seu marido, ao desligar o telefone.
        -  Sim, tem grande habilidade para o design.
        -  Voc sabe que deve haver um bom mercado no norte, ainda no explorado, para nosso tipo de negcio. Estive pensando... imaginando se no poderamos abrir 
uma filial em algum outro lugar, como Chester, e deixar Holly encarregada.                
        -  Expandir, voc quer dizer? Bem,  uma ideia que merece ser analisada melhor. Tente conversar com ela assim que voltar.
        -  Sim, acho que farei isso. Apenas espero que este fim de semana prolongado no se torne muito difcil para ela. O que ela v naquele idiota? J lhe disse 
mil vezes que ela est muito melhor sem ele, mas Holly se convenceu de que este  o grande amor da sua vida. Acredita que Holly vem saindo com ele desde que deixou 
a universidade e que foi seu nico namorado durante todo esse tempo? Parece inacreditvel quando se pensa como os jovens so avanados atualmente.
        -  Pare de se preocupar com ela. Voc parece uma galinha cuidando do pintinho.
        -  Sim... acho que voc tem razo.

        Holly teria ficado emocionada se soubesse da preocupao de sua chefe. Gostava de Janet e do trabalho tambm. Ela era um tanto perfeccionista e muitas vezes 
as outras garotas se rebelavam contra Janet, mas Holly, educada nos moldes antigos, onde disciplina e autoridade eram
bastante enfatizadas, no estranhava nem um pouco as atitudes firmes de sua empregadora. 
        Era uma pena que seus pais estivessem na Nova Zelndia. Poderia ter ficado em casa e usufrudo um pouco do carinho e da ateno deles. No os via desde que 
haviam deixado pas, um ano atrs. Talvez devesse economizar para poder visit-los no prximo ano.
        Esse pensamento alegrou-a um pouco e ela acelerou o carro na estrada relativamente vazia. Dirigiu em boa velocidade, no parando para almoar at que saiu 
da rodovia principal. Tomou uma pequena estrada de terra e estacionou o pequeno Escort, cuidadosamente, no acostamento.
        O carro no lhe pertencia. Era para uso exclusivo do cargo que ocupava. Mantinha-o impecvel, tanto por fora como por dentro, encerando-o e fazendo revises 
periodicas, ao contrrio das outras funcionrias.
        O po crocante e o queijo fresco que trouxera estavam deliciosos, saboreados sob o sol morno de outubro. Alm da estrada, estendiam-se os campos em variados 
tons de verde e dourado, at se confundir com o tom violceo das distantes montanhas Welsh.
        O ar puro e livre de poluio era fresco e leve; Holly sentiu a calma familiar que sua terra sempre lhe proporcionara.
        Holly adorava Londres: a vitalidade, a agitao, a mistura de gneros, do antigo e do moderno, o ritmo frentico que parecia jamais amainar. Mas gostava 
do campo tambm: a calma e a tranquilidade, a sensao de que o tempo passava numa velocidade muito menor.
        Relutante, recolheu os restos do almoo e ligou o carro. Estava a menos de meia hora distante de casa.
        A vila no havia mudado, talvez por no estar prxima a nenhum centro industrial e no oferecer atrativo algum para os habitantes das cidades vizinhas.
        Seu pai conseguira uma vida confortvel, trabalhando como procurador na cidade prxima de Nantwich e, embora sua famlia jamais tenha alcanado a projeo 
e a riqueza da famlia de Rose, tivera uma infncia feliz. Um misto de firmeza e indulgncia, que lhe garantiu uma viso sadia da vida e de como era importante ser 
economicamente independente.
        Holly no almejava riqueza, o que desejava mesmo era casar-se com um homem que amasse e que entendesse sua necessidade de ser independente e levar avante 
a carreira.
        Se tivessem filhos deixaria a carreira em segundo plano, mas nunca a abandonaria completamente. A mulher atual precisava de algo seu, e Holly apreciava o 
sentimento de orgulho que o trabalho lhe proporcionava.
        Naturalmente, ao visualizar esse futuro, esperava que Howard fosse seu marido. Mas Howard estava noivo de outra mulher.
        Em menos de quinze minutos chegou aos arredores da cidade, reconhecendo a paisagem familiar da infncia e da adolescncia. Os campos  direita pertenciam 
a Drew Hammond, ex-namorado de Rose. Como estaria se sentido agora? Provavelmente, da mesma forma que ela, imaginou.
        Perdida em pensamentos no notou o brilho de vidros quebrados na estrada. Mal teve tempo de segurar a direo com fora e, desesperadamente, tentou controlar 
o carro, apesar dos pneus furados.
        Quando o carro parou, Holly notou que no apenas um, mas dois pneus estavam furados. O mais sensato seria andar at a vila e pedir ajuda a um mecnico. O 
tringulo de segurana estava embaixo de toda a bagagem, mas, responsavelmente, abriu o porta-malas e comeou a procur-lo.
        Totalmente absorta no que estava fazendo no escutou um veculo que se aproximava nem mesmo percebeu que no estava mais sozinha at ouvir uma voz masculina 
ao seu lado.
        - Precisa de ajuda?
        - Drew! - exclamou, olhando-o admirada.
        - Holly!
        Ambos sorriram, inseguros, denotando a surpresa que experimentavam.
        - Voc veio para a festa,  claro. Parece que se meteu em apuros, entretanto - Drew comentou.
        -   mesmo. Estava completamente distrada e nem cheguei a ver os vidros - Holly confessou com um suspiro.
        -  J havia visto os vidros e pensei mesmo em voltar e limpar tudo, mas acho que cheguei tarde demais.
        Atencioso como sempre, Drew no mudara nada. Bem, quase nada. Estava bem mais encorpado do que antes, mais alto e mais forte, embora fosse difcil notar 
por causa das roupas antiquadas que usava. Traje tpico dos fazendeiros. To diferente dos ternos e camisas impecveis de Howard! Agora entendia por que Rose o trocara 
por Howard.
        A seu modo, Drew parecia muito bem. As feies msculas do rosto e o nariz aquilino davam-lhe uma aparncia autocrtica. Estranho, porque todos sabiam que 
Drew era a pessoa menos autoritria que havia. Muitas vezes, quando adolescente, ouvira ofensas e deboches de outras garotas a respeito de suas roupas e de seu estilo 
de vida, sem reagir.
        Os pais de Drew nunca estiveram muito bem financeiramente e, quando tinha dezesseis anos, seu pai morreu; foi obrigado a deixar os estudos para tomar conta 
da fazenda.
        O cabelo preto parecia spero e desarrumado pelo vento. Mentalmente, Holly comparou-o com o cabelo bem cortado de Howard e suspirou novamente.
        -  Dois pneus esto danificados, no? Colocar o estepe no adiantar nada - Drew comentou, batendo o p no pneu vazio.
        -  No. Minha inteno era andar at a vila e pedir para reboc-lo.
        -  No h necessidade. Venha at a fazenda e telefone de l. Pea que tragam um outro estepe.  s essa a sua bagagem? - Drew perguntou, tirando a mala do 
porta-bagagem, antes que Holly tivesse a chance de objetar.
        Aturdida, Holly acompanhou-o passivamente at seu carro, um Land Rover.
        Este era o Drew que conhecera, decidido e firme. Howard, ao contrrio, era intil em horas crticas. Perdia o humor e maltratava as pessoas que o tentavam 
auxiliar. Na verdade, em mais de uma ocasio Holly ficara bastante embaraada com sua atitude, fato que gostaria de apagar da memria.
        Alm da mala, no carro havia tambm um pacote cuidadosamente embrulhado. Drew observou o volume com um brilho engraado nos olhos.
        -  Ah, um presente para o feliz casal. O que ? Uma bomba-relgio?
        -  No acho nada engraado. Sei como deve estar se sentindo, Drew, mas estou certa de que no vai durar. O noivado, quero dizer. Estou certa de que Rose 
voltar para voc. Afinal, vocs namoravam h tanto tempo, assim como Howard e eu. No perca as esperanas...
        Drew no respondeu, mas olhou-a com expresso estranha.
        -  Sei que no deve apreciar o fato de eu estar tocando neste assunto. Os homens detestam falar dos seus sentimentos, no  mesmo? Mas... pensei que ajudaria 
se soubesse que eu entendo. No deve ser fcil para voc tambm.
        Howard j lhe contara que pretendia deixar o emprego e trabalhar para o sogro. Rose no gostava de Londres e Holly sabia por qu. A garota preferia ser um 
peixe grande num lago pequeno do que arriscar-se nas guas fundas e annimas da grande cidade.
        Drew estava virado de costas para ela, colocando a mala no carro.
        - Foi muito gentil da sua parte, Holly, ter pensado em mim. Voc tambm deve estar passando por maus momentos.
        -  Bem, sim. No posso negar que foi um choque. No que eu v admitir isso a mais algum - ela confessou naturalmente.
        Aos outros amigos daria a impresso de que aceitava o noivado com naturalidade. Afinal, tinha seu orgulho.
        -  Mas eu sei que no vai durar. Os dois so completamente diferentes. Rose  to dura e dominadora enquanto Howard...
        Holly parou de falar e corou embaraada, consciente de que estivera criticando a mulher que Drew amava, embora ele apenas a olhasse surpreso, como se esperando 
que ela continuasse.
        -  Sinto muito. No devia ter dito nada - ela resmungou, sem jeito.
        -  Por que no? Se  assim que voc se sente. Terei de levant-la para subir na caminhonete, pois, com essa saia, jamais conseguir.
        Era verdade. A saia era muito justa e curta, seguindo as tendncias da moda atual. Modelava-lhe o corpo, deixando  mostra os lindos joelhos e a maneira 
de conseguir subir no carro seria descosturar os lados ou tir-la completamente, o que no desejava fazer.
        -  Acho que sou um tanto pesada - ela se desculpou, enquanto se movimentava em sua direo.
        -  Acha mesmo? Acredite-me, depois de carregar este carro com ovelhas e sacos de rao, levantar voc parece brincadeira.
        Holly duvidou que poderia interpretar aquele comentrio como um elogio. Mesmo assim, ao ser levantada por ele, sentiu uma sensao reconfortante de segurana. 
Quando uma mecha de seu cabelo passou de leve pelo rosto de Drew, a tenso de ambos foi instantnea, at que Holly percebeu que o fato de ele a estar segurando poderia 
trazer-lhe lembranas de Rose.
        -  Oh, Drew,  horrvel, no ? Sinto tanta falta de Howard e acho que voc deve sentir o mesmo por Rose.
        As lgrimas que valentemente controlara durante toda a semana afloraram, mas no podia chorar perto de Drew. No seria justo.
        -  No h ningum mais em Londres que possa tomar o lugar dele? - Drew perguntou casualmente.
        Holly balanou a cabea, horrorizada pela sugesto.
        -  No, no. Nunca houve.
        Certo de que ela se achava segura no banco, Drew foi ao carro, apanhou o tringulo e em seguida voltou, sentando-se atrs da direo.
        -  Desculpe pelo mau estado do carro, mas no esperava resgatar uma donzela em apuros.
        Holly sorriu. Lembrou-se de Howard, que jamais diria algo parecido. Era muito moderno e jamais abriria um livro para ler a no ser que fosse algo sobre uma 
personalidade da moda. O que mais a surpreendeu foi a constatao de que fazia muito tempo que Howard no a fazia rir, mas procurou afastar logo esse pensamento 
desleal.
        - Chegamos - Drew anunciou, parando numa rea pavimentada.
        Holly visitara a fazenda algumas vezes e sempre lhe parecera um lugar fascinante, mas, numa determinada poca, Rose, Howard e alguns outros comearam a desdenhar 
e a criticar lugares buclicos como aquele. Ela no disse nada, apenas intimamente discordou da opinio de Howard.
        Agora, entretanto, voltava a sentir o antigo prazer que experimentara quando menina,  medida que ia caminhando e sendo cercada por cachorros, galinhas e 
gansos, Iodos fazendo um barulho considervel.
        De repente, ouviu-se um urro aterrorizante que a fez dar um salto.
        -  No se assuste!  apenas Ben se manifestando - Drew explicou, rindo.
        -  Ben?
        -  Benjamin Leonard Brahmin, o Dcimo. Meu touro premiado. Est preso no curral e muito aborrecido por isso. Ele j cumpriu sua misso neste vero e precisei 
prend-lo para dar a ele e s vacas um certo descanso.
        Embaraada, evitou o olhar dele e tentou descer da caminhonete.
        - Espere. Vou ajud-la.
        Drew segurou-a  e, para sua surpresa, no a colocou de volta no cho, mas atravessou o ptio com ela no colo.
        -  Drew! - ela protestou.
        -  Voc no vai conseguir andar nestes paraleleppedos com saltos altos. Passe os braos pelo meu pescoo, Holly - ele ordenou.
        Ela obedeceu automaticamente, imaginando por que sempre se sentia assim, to  vontade com Drew. Quando Howard a abraava, seu corao batia forte. Porm, 
quando ele a beijava toda a excitao desaparecia.
        Sentiu-se infeliz com aqueles pensamentos. Nunca haviam sido amantes, no porque ela no desejasse, mas porque pareciam nunca encontrar o tempo ou o lugar 
certo. Seus encontros eram sempre curtos, espremidos na vida ocupada de ambos. Nas raram ocasies em que tiveram a oportunidade para fazer amor, Howard sempre arranjara 
uma desculpa para ir embora.
        Tristemente, encostou a cabea no peito de Drew. Teria Rose mais essa vantagem sobre ela? O poder de despertar desejo em Howard?
        -  Algo errado?
        Haviam chegado  porta dos fundos e Drew segurou-a mais firme enquanto abria a porta.
        -  Estava pensando em Howard e Rose. Drew, posso lhe fazer uma pergunta?
        Entraram na cozinha e Holly ficou admirada ao ver como tudo estava mudado. Os velhos armrios haviam sido substitudos por outros em madeira envernizada, 
e no lugar do fogo a gs que a me de Drew sempre usava havia um conjunto moderno de forno e fogo.
        Holly olhou ao redor com olhos profissionais.
        -  Est muito bom. Quem fez o trabalho para voc?
        -  Eu mesmo.  algo que fao no inverno - Drew informou, em tom seco.
        -  Mas Drew, esto maravilhosos! Acabamentos decorativos eram uma das especialidades de Holly e teve vontade de poder trabalhar na madeira ainda virgem, 
mas lembrou-se de que queria lhe fazer uma pergunta.
        Drew ainda a carregava, embora j estivessem dentro da cozinha. Rose sentiu-se feliz, pois a intimidade entre eles lhe permitia fazer a to desejada pergunta.
        -  Quando voc e Rose faziam amor, era... era assim como se "l nos livros"? Voc sabe...
        Drew ficou paralisado. Imediatamente ela percebeu que no deveria ter lhe perguntado nada. Sentiu um arrepio de tenso percorrer-lhe o corpo, enquanto levantava 
ligeiramente a cabea para se desculpar.
        Assim to prximo, seu rosto parecia mais rude e msculo. Notou que os olhos escondidos atrs das lentes dos culos eram castanho-dourados e achou estranho 
nunca ter percebido isso antes.
        - Por que pergunta? Nunca me pareceu o tipo de garota que se interessa pela vida particular dos outros. Suponho que est com medo de que Howard faa comparaes 
desfavorveis entre voc e Rose. No  isso, Holly?
        Surpresa, escondeu o rosto no peito dele. Drew adivinhara suas reais intenes.
        -  Sim - respondeu num sussurro, sentindo o peito de Drew se expandir ao dar um suspiro profundo.
        -  Acho que posso deduzir pela sua pergunta que, quando voc e Howard faziam amor, no era exatamente como nos livros? - ele indagou em tom seco.
        -  Bem, no exatamente. Foi tolice da minha parte perguntar.
        -  Mas bastante compreensvel. Pelo que sei, os nicos livros que Howard abriu em sua vida foram livros didticos! Ns homens levamos uma desvantagem quando 
se trata de agradar as mulheres. No temos certeza de que estamos lhes dando prazer a no ser que vocs nos digam e acho que, na maioria das vezes, so muito tmidas 
para fazer isso.
        -  Oh, Drew. Estou sempre me esquecendo de que tambm deve ser difcil para voc imaginar se Rose...
        -  Se Rose faz comparaes entre mim e Howard?
        -  Bem, suponho que voc no teve tanta experincia quanto Howard, pelo fato de sempre ter morado aqui e ter sado apenas com Rose.
        -  Howard s namorava voc, portanto no faz muita diferena.
        -  Bem, no. Mas Howard saiu com outras garotas. Muitas vezes ele me falou sobre elas. Acho que os homens gostam de... - Rose sentiu-se sem jeito de terminar 
a frase.
        -  Experimentar - Drew sugeriu.
        -  Sim.
        -  Mas est me parecendo que voc jamais se beneficiou dessas experincias, ou estou enganado? - perguntou, com suavidade calculada.
        Infelizmente ele no estava enganado e a sua nica reao foi pedir-lhe que a pusesse no cho para que pudesse telefonar para a oficina.
        -  Deixe que fao isso para voc - falou, colocando-a numa cadeira.
No havia telefone na cozinha e Drew saiu, voltando alguns minutos depois, com expresso sria.
        -  Estamos sem sorte. A garagem no tem pneus sobressalentes e duvidam que consigam arranjar um antes de segunda-feira.
        -  Oh, no. Precisamos ligar para outro lugar.
        -  A esta hora, numa sexta-feira?
        -  Bem, ento vou procurar uma garagem que atenda vinte e quatro horas por dia.
        -  Bem, sim. Mas eles operam somente nas grandes rodovias.
        -  Oh, que vou fazer? Poderia ir at a vila a p, mas ainda teria de ir  festa e depois voltar para Londres na segunda-feira...
        -  Tenho uma sugesto. Acho que posso rebocar seu carro com a minha caminhonete. Voc poderia passar o fim de semana aqui e iramos juntos  festa amanh. 
Na segunda-feira eu a levaria at Chester para pegar o trem e quando seu carro estivesse pronto eu lhe telefonaria para que viesse busc-lo.
        - Oh, Drew! No desejo te dar tanto trabalho. Alm disso, j fiz reservas na penso.
        - Tenho certeza de que a sra. Mathews no se importar de cancelar.
        Ainda ocorreu a Holly que seria muito mais fcil a Drew lev-la at a cidade e busc-la para a festa no dia seguinte. Porm, deduziu que ele tinha muito 
pouco tempo livre e decidiu no dizer nada.
        -  Bem, se voc tem certeza de que no  trabalho demais...
        -  Certeza absoluta. Aguarde aqui enquanto vou buscar suas malas.         - Oh, acho melhor mostrar seu quarto. Por aqui, Holly, por favor.
        Drew atravessou a sala e abriu uma porta, parando ao notar que Holly hesitava.
        -  No deveramos... quero dizer, ser que sua me no vai se importar?
        -  Minha me? Ah, entendo... Minha me no mora mais aqui, Holly. Ela se casou novamente h dois anos e mora em Chester agora. Mas mesmo que estivesse aqui, 
lenho certeza de que no se importaria.
        -  Compreendo. E seus irmos?
        -  Tambm no vivem mais aqui. Vejo que voc est preocupada por estarmos sozinhos na fazenda. No  isso?
        -  Cus, no! Em Londres  muito comum um homem e uma mulher viverem juntos sem... sem ter nenhum envolvimento sexual.
        Embora o que acabara de dizer fosse verdade, no estava muito segura e sabia que seus pais no aprovariam o que estava fazendo.
        -  Holly, se prefere no ficar...
        -  Oh, no. Se algum tirar alguma concluso errada ser problema dele, no ? Ns dois sabemos que no somos...
        -  Que no somos amantes - Drew completou a frase para ela.
Drew virou-se para olh-la, mas o sol que batia na vidraa ofuscou seus olhos, impedindo-a de ver a expresso no rosto dele. Mesmo assim, algo no modo suave como 
pronunciou aquelas palavras fizeram seus msculos se retesarem um pouco, alertando-a para o perigo.
        Holly sentiu que desejava relaxar. Afinal, que perigo Drew poderia oferecer? O fato de que iria passar algumas noites sozinha com ele no era motivo para 
ficar nervosa e alarmada.
        -  Voc fez outras reformas no interior da casa? - perguntou, enquanto o seguia at o hall.
        Uma escada antiga de carvalho levava at o andar superior e Holly sentiu o contato agradvel de madeira gasta quando segurou no corrimo.
        -  Algumas. Constru dois novos banheiros e tambm armrios no meu quarto e no quarto de hspedes. Precisava mesmo, agora, de um decorador, mas parece que...
        Parece que seu corao est partido, ela pensou com simpatia. Provavelmente modernizara a casa para Rose. Holly sentiu certo ressentimento pelo que a outra 
garota fazia a Drew. Ele era bom demais para uma mulher como Rose.
        -  Estou surpreso por Howard ter tido a coragem de convid-la para essa festa - ele comentou, ao entrarem no longo corredor. De um lado havia uma srie de 
portas fechadas e, do outro, vidraas que davam para os campos.
        -  Oh, Drew, voc conservou o lago! - ela exclamou com alegria.         Holly se lembrava de que Drew uma vez quisera dren-lo e ela pediu para que no o 
fizesse. Adorava as flores silvestres que nasciam por entre os bambus que cresciam na gua.
              - Ficaria muito dispendioso para drenar e alm do mais eu agora vendo o bambu para uma loja na vila, que faz cestos e cadeiras desse material. Holly, 
diga-me, por que voc veio?
        -  Precisava vir. Sei que ele voltar para mim. Se puder convenc-lo de que Rose no  a garota certa para ele. Janet, minha chefe, sugeriu que eu convidasse 
um outro rapaz para me acompanhar  festa, e deixar Howard com cime.
        -  E, voc, o que decidiu? - Drew indagou, olhando-a com curiosidade.
        -  Bem, no tenho muitas opes. Na realidade, no conheo outros homens, alm de Howard - ela admitiu com franqueza.
        Drew no respondeu e abriu a porta de um dos quartos.
        -  Oh, Drew,  lindo!
        -  O banheiro fica ao lado. No  exatamente uma sute, mas s ser usado por voc.
        Impulsivamente, ela ficou na ponta dos ps e o beijou no rosto. Drew ficou imvel como uma esttua e Holly sentiu-se corar ao perceber o que fazia.
        -  Sinto muito. No tinha a inteno.
        -  Acho melhor ir buscar seu carro antes que comece a escurecer.




Capitulo II


        -  Drew, estou to horrorosa, acho que no vou mais. Holly, de p no meio da cozinha, elegante no vestido novo e cuidadosamente maquiada parecia ter perdido 
toda a coragem; sentiu que no seria capaz de encarar Howard e Rose.
        -  Mas voc precisa ir. A maioria das pessoas sabe que est aqui - Drew comentou secamente.
        Era verdade. De manh o carteiro a havia cumprimentado efusivamente, dizendo-lhe que soubera pela sra. Ma-thews o que acontecera com o carro e que estava 
hospedada na fazenda. Holly concluiu que a esta hora todos os seus amigos j deveriam saber que voltara.
        A festa iria ser bastante formal e a viso de Drew vestido em seu smoking deixou-a perturbada. Para comear, no imaginava que ele possusse um, e, quando 
fez esse comentrio, Drew lhe explicou que o tinha comprado para comparecer aos eventos locais.
        Por um momento Holly deixou de lado as dvidas sobre se devia ou no ir  festa e observou-o da cabea aos ps.
        -  Drew, voc est usando meias verdes!
        -  Estou mesmo? Acho melhor subir e troc-las, ento. Seria bom se pudesse me ajudar. Sou daltnico, Holly. J se esqueceu?
         claro, agora se lembrava de que uma vez o ouvira falar sobre sua incapacidade de diferenciar certas cores.
        -   Para ser honesto, esta foi uma das razes de eu no tei redecorado a casa. Tive medo de escolher as tonalidades erradas.
        - Oh, mas certamente Rose iria ajud-lo. 
        Ao seu lado, Drew suspirou fundo, estufando o peito e fazendo com que Holly involuntariamente o comparasse com Howard, cujo fsico era bem menos avantajado.
        - Tenho minhas dvidas, porque Rose no gostava desta casa - comentou tristemente.
        - Talvez no achasse que fosse boa o suficiente para ela - Holly falou, lembrando-se de como Rose era esnobe.
        -  , talvez.
        - Ela deve estar cega. A casa  adorvel, mas acho que deve preferir uma daquelas horrveis caixas de fsforos que seu pai costuma construir.
        Drew concordou, parecendo ignorar a insinuao de Holly ao modo como o pai de Rose fizera sua fortuna. 
        - Acho que sim. Na opinio dela, as casas velhas so sujas.
        - S na opinio dela, pois com um pouco de cuidado e planejamento esta casa poderia se tornar muito mais atraente do que aquela coisa horrorosa que o pai 
dela construiu para eles morarem depois de casados.
        -  Voc acha mesmo? - Drew indagou, com ar de dvida.
        - Sim, acho. Na verdade, posso lhe provar na prtica o que estou falando, Drew. Como sabe, estou trabalhando com decorao de interiores e sou especialista 
em acabamentos  e  revestimentos.   -  Por  modstia,   no acrescentou que estava sendo muito requisitada.
        -  Adoraria se pudesse pintar sua cozinha.
        J imaginava como seria. Os armrio revestidos de amarelo-vivo e talvez enfeitados com frisos brancos. As paredes poderiam ser pintadas com esponja, o que 
daria um toque rugoso ao acabamento. Distrada com tais pensamentos, Hoily esqueceu sua ansiedade com relao  festa.
        -   pena que voc no possa ficar um pouco mais e ajeitar tudo por aqui - Drew comentou, observando-a atentamente.
        -  Adoraria - admitiu, fascinada pela idia.
        -  Meu quarto  este - ele falou, abrindo uma das portas.
        O aposento era espaoso e bem arejado. Holly observou a imensa cama de casal com a cabeceira entalhada.
        -  Oh, Drew!  linda - ela elogiou, enquanto acariciava o entalhe perfeito.
        -  Gosta? Fico satisfeito, pois eu mesmo a fiz. Trabalho em madeira  o meu hobby.
        Embora a moblia fosse muito bonita, o aposento no lhe dava o devido realce. As paredes e o teto pintados em um tom bege davam um ar montono ao ambiente.
        -  Conhecendo meu problema com cores, achei mais seguro usar tons que pudesse distinguir bem - Drew desculpou-se, como se tivesse lido os pensamentos de 
Holly.
        Drew lhe pareceu um homem bastante ordeiro, at mais do que ela mesma. A refeio que preparara na noite anterior estava deliciosa e parecia que ele sabia 
cuidar muito bem de si mesmo.
        -  Acho melhor pegar as meias logo, do contrrio nos atrasaremos. Imagino que economizaramos tempo se voc mesma procurasse na gaveta.
        Solicita, Holly aproximou-se da gaveta que Drew acabara de abrir, encolhendo-se um pouco para passar no pequeno espao que havia entre a cama e ele.
        -  Pronto. Acho que estas so pretas. Espero por voc l fora.
        Holly reparou no olhar divertido que Drew lhe dirigiu e corou. Ele, entretanto, no fez nenhum comentrio como teria sido prprio de Howard em tais circunstncias. 
Simplesmente sorriu enquanto ela se afastava.
        Drew no a fez esperar muito e logo saram para a noite fria de outubro.
        Haviam j cruzado metade do ptio quando ele a fez parar, pegando-a no colo, como fizera no dia anterior.
        - Drew! - ela protestou, meio sem flego.
        -  Voc est com esses saltos ridculos novamente. No costuma usar sapatos normais?
        -  No posso. Como sabe, sou muito baixa e preciso deles para parecer um pouco mais esguia.
        - Para qu?
        Por alguma estranha razo a pergunta deixou Holly confusa e ficou satisfeita por terem alcanado o carro e no precisar responder. Olhou atentamente o veculo 
a sua frente, percebendo que no era o mesmo do outro dia, mas sim um carro luxuoso que parecia recm-sado da concessionria.
        -  No sabia que voc tinha um carro assim.
        -  No? Bem, no poderia saber mesmo.
        -  Mas, Drew, esse  carssimo.
        Lembrava-se ainda dos tempos de colgio e de Drew sempre com menos dinheiro do que o resto da turma. Ficou imaginando se ele no o comprara numa ltima tentativa 
para impressionar Rose.
        Holly notou a longa fila de carros luxuosos estacionados na alameda que levava  casa de Rose: Jaguar, Mercedes, Porche e Rolls-Royce, sinal evidente da 
alta esfera social em que Rose e seus pais viviam. Holly sentiu um leve tremor percorrer-lhe o corpo. Habilmente Drew estacionou e perceberam que um casal vinha 
em direo a eles. Pararam perto do carro e o som de voz feminina pareceu a Holly vagamente familiar.
        -   voc, Drew?
        -  Al, Jane... Guy. Como esto?
        -  Oh, muito bem.
        Agora se lembrava: Jane Phillips. Estudara na classe de Drew, algumas sries a sua frente.
        -  Cus! Holly Witchell, no  mesmo? Bem, h quanto tempo vocs esto juntos? Guy e eu acabamos de chegar dos Estados Unidos, onde ele esteve trabalhando 
durante seis meses.  um namoro recente ou...
        -  Pare de especular, mulher. Vamos logo, estou ficando congelado - seu marido a interrompeu.
        Drew fechou o carro e, segurando o brao de Holly, fez meno de acompanhar o casal que se afastava.
        -  Drew, espere um momento, pois esqueci minha bolsa no carro.
        Pacientemente, Drew voltou e destrancou a porta. Holly esperou que o casal se distanciasse para se aproximar dele.
        - No se preocupe, Drew. Era apenas uma desculpa. Jane me deu uma idia maravilhosa. Por que no fingimos que estamos apaixonados um pelo outro?
        Ele permaneceu parado, em silncio, por alguns minutos e Holly pensou que fora muito precipitada.
        -  Mas sempre achei que estivesse apaixonada por Howard.
        -  E estou. Mas tente entender. Se ele perceber que estou interessada em outro homem, ficar com cime... e naturalmente acontecera o mesmo com voc e Rose 
- Holly acrescentou rapidamente, no querendo parecer egosta.
        - Deixe-me entender bem. Voc quer fingir que estamos apaixonados; mas... vamos dizer que  algo recente ou um relacionamento mais antigo?
        - Oh, algo novo, sem dvida, para que Howard no desconfie de nada.
        - Bem, ento a impresso que desejamos dar  que, de repente, ao nos reencontrarmos, nos apaixonamos perdidamente um pelo outro.
        - No lhe parece uma boa idia?
        -Acho que talvez pudssemos lev-la adiante, com algumas pequenas mudanas. Poderamos fazer com que todos acreditassem que um de ns, eu, por exemplo, sempre 
estive apaixonado por voc e, quando nos encontramos novamente, percebeu que eu era o homem da sua vida.
        - Mas quem iria acreditar se todo o mundo sabe que voc e Rose namoravam h tanto tempo?
        - Bem, no ser fcil, mas pense no impacto que causara ao feliz casal. Rose  muito ciumenta e no vai gostar nada quando souber que eu sempre estive apaixonado 
por voc.  pena que tenha de voltar para Londres to depressa. Se pudssemos ser vistos juntos algumas vezes ajudaria muito.
        - Sim,  verdade - Holly concordou. - Ento est combinado? A partir de agora agiremos como um casal enamorado.
        Holly respirou fundo e, antes que se arrependesse, balanou a cabea, confirmando.
        -  Sim. Acho que poderia ficar mais, se voc realmente acha que vai dar certo, Drew. Tenho um ms de frias vencidas e poderia tir-las agora se quisesse.
        -   claro que vai dar certo e voc talvez pudesse aproveitar e decorar a cozinha para mim. Logicamente, eu pagaria seus honorrios.
        -  Oh, no. A no ser que voc me deixe pagar casa e comida. Precisaria falar com Janet, minha chefe, mas estou quase certa de que ela no vai se opor. O 
movimento no escritrio est bastante fraco.
        -  Muito bem. Est pronta para enfrentar seu pblico, Holly Witchell?
        -  Sim, acho que sim.
        -  Vamos, ento.



Capitulo III


        - Andrew! Que bom ver voc... esta  Polly, no? - a me de Rose cumprimentou-os efusivamente.
        -  No, Marsha, esta  Holly - Drew corrigiu-a com voz suave.
        Apenas nesse momento Holly percebeu que Drew segurava sua mo e a mantinha junto a ele, fazendo-a sentir-se protegida e transmitindo-lhe a necessria confiana 
para sustentar o olhar crtico de Marsha Jensen.
        - Um modelo de vestido bastante incomum, este que est usando. Acho que estamos um pouco distantes da moda londrina.
        - Holly o est usando especialmente para mim, pois sabe que adoro vermelho.
        Holly olhou para Drew, surpresa. Quando teria aprendido aqueles modos sofisticados e adquirido tanta segurana no trato social? Desviou o olhar e notou que 
Howard e Rose vinham na direo deles e sentiu um leve tremor percorrer-lhe o corpo.
        - Drew, querido! - Rose exclamou, deixando seu noivo de lado para enlaar o pescoo de Drew e beij-lo na boca.
        Foi um longo beijo que fez Holly sentir-se estranhamente desconcertada e zangada. Que ousadia da parte de Rose atormentar Drew dessa maneira!
        Howard, entretanto, no a abraou. Apenas cumprimentou-a com um sorriso amvel, arqueando Iigeiramente as sobrancelhas enquanto observava seu vestido.
        - Vermelho, Holly? Voc sabe que no  a sua cor - ele falou, provocando-a. 
        - Ao contrrio. Acho que lhe vai muito bem. Alm do que ela est usando este para atender a um pedido meu - Drew retrucou.
        -  Cus, Drew querido, o que voc est tentando dizer?
        Rose olhou para Holly com desdm, mas antes que Drew pudesse replicar, Jane e Guy se aproximaram para cumprimentar o casal de noivos.
        -  Rose, por que no me contou? Na sua carta voc falara do seu noivado com Howard, mas no disse nada sobre Drew e Holly.
        -  Drew e Holly?
        O tom alto da voz de Rose fez com que algumas pessoas os olhassem curiosos. Um pesado silncio caiu sobre o grupo e pareceu a Holly que todos na sala a olhavam. 
Instintivamente, aconchegou-se a Drew satisfeita por sentir a proteo dos braos dele em seus ombros.
        Com alvio, ouviu a voz de Drew, explicando calmamente o que estava acontecendo.
        -  No pretendamos dizer nada ainda, no  mesmo, querida?
        Querida? Holly engoliu em seco e olhou para ele, e por um instante, sentiu-se fascinada pelo brilho que notou em seus olhos.
        - Estou comeando a entender. Pretende ficar permanentemente por aqui, Holly? Onde vai morar? Parece que a casa dos seus pais ainda est alugada, no ? 
- Rose indagou, mostrando certo nervosismo.
        - Ela vai ficar na fazenda comigo - Drew respondeu, prontamente.
        Nesse momento a ateno geral realmente se concentrou neles. A cor pareceu desaparecer do rosto de Rose, e Howard olhou para Holly como se jamais a tivesse 
visto antes.
        - Voc  bastante corajosa, Holly. Quanto a mim acho que ainda sou muito antiquada para aceitar este tipo de comportamento e, para ser franca, meus pais 
ficariam furiosos se eu sugerisse fazer algo semelhante. Voc no tem medo de que Drew mude de idia e no queria mais se casar com voc?
        - Felizmente, j se vo longe os dias em que uma mulher precisava trocar sua virgindade pela segurana de um casamento, Rose. Drew e eu sabemos bem o que 
estamos fazendo.
        Hesitante, Holly virou-se para Drew, os olhos inconscientemente implorando para que viesse em seu socorro. Como lendo seu pensamento,         Drew beijou-a 
na ponta do nariz.
        - Voc  que insiste em esperar, Holly. Por mim, casaria amanh mesmo.
        Sem dvida, era um excelente ator, Holly considerou, percebendo o olhar apaixonado que Drew lhe dirigiu. Sentiu uma sensao inesperada e agradvel.
        Felizmente a chegada de Marsha Jensen desviou a ateno do grupo antes que algum fizesse mais algum comentrio.
        - Bem, acho que lhe demos um bom susto - Drew falou baixinho ao ouvido de Holly.
        Somente nesse momento Holly percebeu que estivera to entretida observando Drew que nem mesmo notara como Rose e Howard haviam reagido  notcia que lhe 
dera.
        - Que tal se fssemos at a mesa e nos servssemos? Estou faminto         - Drew convidou-a, interrompendo seus pensamentos.
        Meia hora mais tarde, Holly saboreava lentamente seu champanhe enquanto esperava por Drew, que se detivera conversando com alguns amigos fazendeiros, quando 
notou que Jane vinha em sua direo, sorrindo.
        - Gostaria de cumpriment-los e aconselh-los a no prestarem ateno s infantilidades de Rose.
        -   natural que ela esteja com cime - Holly observou calmamente.
        Jane olhou-a, surpreendendo-se com a tranquilidade que Holly demonstrava.
        -  Olhe, Guy e eu vamos dar um festa de inaugurao da nossa casa no final do ms e adoraramos se voc e Drew viessem. Talvez voc possa at me dar algumas 
sugestes quanto  decorao. Fico meio insegura em entregar o projeto para os decoradores aqui de Chester e de me envolver por suas idias. Tenho medo de que a 
decorao acabe no refletindo a minha personalidade nem a de Guy. Voc entende o que quero dizer, no?
        - Isso no aconteceria com um bom decorador, mas terei prazer em aconselh-la no que puder, embora minha especialidade seja acabamento de interiores e no 
design propriamente dito.
        No deixava de ser verdade, mas Holly sabia que tinha um talento especial para decorao e Janet mesmo muitas vezes lhe confirmara isso.
        -  Estou interrompendo? - Drew perguntou, vindo juntar-se ao grupo.
        Holly virou-se e sorriu para ele. 
        - No, de forma alguma. Jane estava nos convidando para a festa de inaugurao da casa dela.
        -  claro que no vamos faltar, no , Holly? - Enquanto falava, Drew procurou-lhe a mo e levando-a aos lbios depositou um beijo na palma, fazendo-a estremecer 
e olh-lo, fascinada.
        - Ah, parecem dois pombinhos. Acho que vou deix-los sozinhos - Jane riu maliciosamente e se afastou. 
        - Por que fez isso? - Holly perguntou em tom seco, assim que ela saiu do lado deles. Rose e Howard estavam nos observando. Achei  que era uma boa oportunidade 
para reforar nosso plano
        O conjunto contratado pelos pais de Rose comeou a tocar urna valsa e Holly notou que Rose e Howard estavam danando.
        Era estranho v-lo danar com outra mulher, Holly considerou. De certa forma, ele parecia mais baixo. Naturalmente pelo fato de Rose ser muito mais alta 
do que ela mesma e comparado com Drew, Howard parecia... Bem, na verdade a aparncia dele era insignificante, concluiu, chocada.
        Nem parecia que estava observando o homem por quem estivera apaixonada durante seis anos. Era um completo estranho que no significava nada mais para ela.
        Essa sbita constatao deixou-a tensa, e Drew, de p no seu lado, percebendo a insegurana que se apossava dela, apertou-lhe as mos, tentando transmitir-lhe 
um pouco mais de confiana.
        Que grande amigo! Como era reconfortante t-lo ao seu lado nessa hora. Chegou mais perto dele sem notar o modo como a olhava. Drew tentava dizer-lhe que 
o |ovem casal de noivos parecia bem mais interessado no que estava acontecendo nesse lado do salo do que nele mesmo.
        Outros casais comearam a danar e felizmente Drew no lhe pediu para que danassem tambm. Howard detestava danar com ela dizendo que no era o seu ponto 
forte, mas de repente comeou a tocar uma msica bastante popular que foi imediatamente reconhecida por todos.
        -  No podemos perder esta, Holly - Drew falou, enlaando-a pela cintura.
        Deixou-se levar para a pista e com incrvel facilidade movimentaram-se ao som da msica.
        Seu corpo movia-se instintivamente, acompanhando o dele, sem esforo. Vagamente, percebeu Rose e Howard danando perto deles. Notou raiva nos olhos de Rose 
enquanto Howard pressionava os lbios em desagrado. Na verdade, ele sempre tivera lbios finos, Holly considerou, comparando-os com os de Drew. Levantou os olhos 
e observou-lhe o rosto, sentindo uma sensao estranha apoderar-se de seu corpo.
        A msica terminou depressa demais. Poderia ter danado com Drew a noite toda, porm j estavam sendo chamados a erguer um brinde ao jovem casal e apenas 
nesse momento, vendo o anel reluzindo no dedo de Rose e ouvindo as palavras de seu pai, foi que Holly se deu conta da dura realidade: o homem que amava estava agora 
comprometido com outra mulher.
        Virou-se rapidamente e se no fosse Drew segur-la pelo brao teria sado correndo da sala. Holly sentia-se angustiada e frustrada ao constatar como Howard 
era ambicioso e materialista.
        -  Falta pouco agora, Holly. Logo poderemos sair - Drew comentou em voz baixa.
        -  Mas j? Estamos aqui h apenas cinco minutos - Holly retrucou, forando um sorriso alegre.
        Drew lhe dirigiu um longo e penetrante olhar, mostrando-lhe que, embora ele a conhecesse to pouco, era capaz de ler qualquer pensamento seu, enquanto Howard, 
que a conhecia havia muito tempo, muitas vezes a deixava aborrecida por sua insensibilidade. Talvez Drew se interessasse mais pelas pessoas do que Howard, pensou.
        Imediatamente afastou esse pensamento, lembrando-se de que o mundo de Howard era muito diferente.
        A me de Rose aproximou-se e comeou a conversar com Drew, excluindo deliberadamente Holly da conversa. Segurando o copo de champanhe vazio, afastou-se deles, 
sentindo-se solitria e trada. O que fazia ali, fingindo estar apaixonada por Drew?
        -  Holly! At que enfim consigo falar com voc!
        A sbita apario de Howard ao seu lado a fez pular. Sem perceber dirigira-se para a sala de msica, distante do rudo da festa, atrada pela tranquilidade 
e paz do lugar.
        - O que est acontecendo? Que histria  essa sobre voc e Drew? - Howard indagou com rispidez.
        - Acho que  algo que s diz respeito a mim e a ele, no? - conseguiu dizer, levantando a cabea orgulhosamente.
        -Oh, pare de representar. Quinze dias atrs voc tentava desesperadamente me convencer de que me amava e praticamente implorou para que eu no ficasse noivo 
de Rose.
        -  Howard! - Holly protestou com voz trmula, quase desmaiando de alvio ao ouvir a voz familiar de Drew as suas costas.
        -  Penso que j disse o suficiente...
        -  Suficiente? Nem mesmo comecei! O que pretendem com essa farsa ridcula? - Howard falou, zangado.
        -  No  nenhuma farsa. Eu amo Holly e ela me ama e  tudo o que voc e os demais precisam saber.
        -  Holly?
        Respirando fundo, sem olhar para Howard, virou-se para Drew como que buscando fora e coragem nesse homem bom e generoso que comeava a conhecer bem.
        -   verdade o que Drew acaba de dizer, Howard.
        - Faz muito tempo que amo Holly em segredo e no pretendo deix-la como voc fez. Vamos querida, est na hora de irmos para casa - Drew completou em tom 
suave, dirigindo-se  jovem.
        Sem permitir que Howard articulasse uma nica palavra, Drew conduziu-a para a sada.
        Holly sentia-se to confusa que no conseguia falar. Somente quando j estavam dentro do carro  que conseguiu pensar com mais clareza.
        - No vai funcionar, Drew. Jamais deveria ter sugerido tal idia. Howard nunca acreditar que estou apaixonada por voc.
        Holly notou que Drew apertava a direo com fora e olhou-o surpresa. Sombras escondiam-lhe os olhos, mas podia-se perceber os msculos tensos de seu rosto.
        -  Ento teremos de achar um jeito de convenc-lo, no?
        Ia j protestando quando se lembrou de que os sentimentos de Drew tambm estavam envolvidos em tudo aquilo e impulsivamente segurou a mo dele, tentando 
dar-lhe algum conforto.
        - Sinto muito. Estava sendo egosta. Rose no tirava os olhos de ns e acho que, pelo menos com relao a ela, nosso plano poder dar certo.
        -  Mas no com Howard - Drew indagou.
        - No estou certa. Ao v-los esta noite... Parecia que via Howard pela primeira vez. Ele deseja apenas as vantagens que os pais de Rose lhe podem dar.
        -  E est resignada a perd-lo?
        - No sei. Realmente no sei mais o que pensar - ela admitiu com voz trmula.
        E o motivo de sua confuso no era tanto por causa de Howard, mas muito mais por Drew, reconheceu desanimada. Por alguma estranha razo a convivncia com 
Drew trouxera  tona facetas desagradveis da personalidade de Howard que nunca percebera antes.
        -  Quer dizer que mudou de idia e que no deseja mais levar avante nosso plano?
        Sentiu-se tentada a concordar, mas lembrou-se de que haviam feito um trato e para o bem de Drew deveriam continuar representando. Na verdade, Rose ficara 
enciumada e isso j era um bom comeo.
        -  No, no  isso, Drew. A no ser que voc tenha mudado de idia.
        - Da minha parte no h nenhuma mudana - Drew respondeu em tom de alvio.
        Talvez temesse que Holly mudasse de planos. Ele parecia gostar muito de Rose, considerou, e esse pensamento a deixou ligeiramente aborrecida. Sentiu-se cansada. 
Fora um dia longo e tudo que desejava agora era uma boa noite de sono. Reprimiu um bocejo e percebeu nesse momento que Drew sorria.
        -  Voc parece ter dezesseis anos quando faz assim - ele comentou.
        Holly sentiu-se enrubescer. Sabia que parecia jovem para sua idade e que no possua a sofisticao de uma mulher como Rose. Howard, muitas vezes, a forara 
a comprar roupas que a faziam parecer mais velha, mas discordava sempre, defendendo seu direito de usar o que achasse mais confortvel. Mesmo assim, nesse momento 
sentiu-se vulnervel e imatura.
        - Estava pensando que no  apenas a minha casa que poderia se beneficiar com um toque feminino; eu tambm... Drew observou, quando entravam na fazenda.
        Holly encarou-o e percebeu que Drew ficara embaraado.    
        -  Voc est muito bem vestido esta noite - ela lhe garantiu.
        -  Sim, mas se no fosse por voc, teria sado com as meias verdes. Voc acha que poderia me ajudar e me transformar em um homem mais atraente?
        Holly no sabia o que responder. Sua vontade era de dizer-lhe que ele j possua todas as qualidades que qualquer mulher sensata apreciaria, mas se fizesse 
isso estaria insultando Rose e, afinal, era ela a mulher que Drew amava.
        - Quer que eu o ajude a escolher roupas novas? - perguntou hesitante.
        - Sim, mais ou menos isso. Pode tambm me dar algumas informaes sobre o que as mulheres apreciam nos homens.
        -  Ser um pouco dispendioso e sei que a vida no tem sido fcil para voc, Drew, principalmente com relao a dinheiro.
        Para sua surpresa ele riu.
        - Os tempos mudaram, Holly. Estou certo de que posso me dar ao luxo de comprar algumas peas de roupa. Quando comeamos? Estarei livre na tarde de segunda-feira 
e poderamos ir at Chester.
        - Parece timo. S preciso verificar com Janet primeiro e ver se realmente poderei tirar esses dias de folga. Drew, voc se importaria se as pessoas pensassem 
que somos... bem, que somos amantes? - Holly perguntou hesitante.
        -  Voc se importa?
        Enquanto balanava a cabea negativamente, percebeu que estava sendo sincera.
        -  Poderia chegar aos ouvidos dos seus pais - ele a avisou.
        - Acho que eles entendero quando eu explicar toda a situao - Holly respondeu, sem conseguir reprimir um bocejo.
        -  Vamos l, menina.  hora de ir para a cama.
        -  Voc tambm deve estar cansado....
        Holly sentiu-se envolver por um sentimento de ternura por ele. Deveria ser muito pior para Drew do que para ela.
        Afinal os homens tinham seu orgulho e ele teria de continuar a viver ali to perto de Howard e Rose,enquanto ela poderia voltar para Londres e para seu trabalho.
        Holly acordou no domingo de manh estranhamente deprimida e, rapidamente, sentou-se na cama. Deveria estar louca por ter sugerido aquele plano absurdo para 
deixar Howard e Rose enciumados.  certo que o plano dera certo com Rose, pois ela parecia um pouco enciumada no dia anterior, mas Howard no parecera acreditar 
nem um pouco em toda aquela farsa.
        Drew deveria estar muito desesperado para concordar com a idia e mesmo quando pediu ajuda para melhorar sua imagem, Holly considerou.
        Esse pensamento aumentou sua angstia e continuava ainda sentada na cama quando ouviu uma batida na porta e a voz alegre de Drew.
        -  Espero que j esteja acordada, dorminhoca.
        Antes que Holly dissesse alguma coisa, Drew foi entrando e enquanto se enfiava embaixo das cobertas notou que ele a observava com ar divertido.
        -  O que h? No vai me dizer que dorme sem roupa?! - ele perguntou, rindo ainda mais de sua expresso indignada.
        No havia nada de indecente com sua camisola de algodo e Holly sentiu que toda aquela timidez era desnecessria e ridcula, mas por alguma razo sentiu-se 
ligeiramente aborrecida ao perceber que Drew no a considerava o tipo de mulher que apreciava o erotismo de dormir despida.
        - Trouxe-lhe uma xcara de caf. Dormiu bem? Voc parecia desmaiada quando entrei ainda h pouco...
        -  Mas so apenas nove horas. A que horas voc se levantou?.
        - s seis. O homem encarregado da ordenha tem o domingo livre e sou eu que fao o servio dele. No que tenhamos um grande rebanho. Felizmente, percebi que 
no havia grandes perspectivas para o negcio de laticnios e passei a criar gado para corte.
        Esquecendo que no estava completamene vestida, Holly sentou-se, abraou as pernas dobradas colocando o queixo sobre os joelhos.
        - O que o levou a mudar de ramo? Cheshire foi sempre uma regio voltada para a produo de leite...
        - Muita leitura e um pouco de intuio me levaram a essa mudana nos negcios.
        -  E  por essa razo que voc tem o touro. Para reproduo.
        - Sim. Mais tarde lhe mostrarei algumas das suas crias. Se for ficar,  claro.
        - Bem, preciso conversar com Janet. Drew, a respeito do que combinamos ontem... acha que dar certo?
        Drew ficou silencioso por tanto tempo, que Holly pensou que ele no fosse responder, de modo que o contato de seus dedos afastando-lhe o cabelo do rosto 
pegou-a desprevenida.
        No estava acostumada a ser tocada, reconheceu, enquanto sentia o corao acelerado e uma sensao de prazer percorrer-lhe o corpo, ao sentir o toque spero 
das mos de Drew em sua pele. Howard nunca a tocava a no ser antes de beij-la e como fora tola em no perceber que seu interesse sexual por ela diminua dia aps 
dia.
        -  Drew, se voc amasse algum e essa pessoa no desejasse fazer amor com voc, o que faria?
        -  Bem, depende. Primeiro, procuraria saber o motivo que a levava a no querer fazer amor. Se percebesse que ela no me desejava, ento admitiria a derrota 
e seria o fim do nosso relacionamento. Porm, se percebesse que ela estava insegura, ento tentaria lhe mostrar que no deveria ter medo de nada.
        -  Oh, Drew, desculpe. Fico aqui falando dos meus sentimentos sem perceber que deve ser doloroso para voc tambm ver Howard e Rose juntos.
        -   sempre triste amar algum que ama outra pessoa. Bem, tenho algumas coisas para fazer ainda. Por que no se levanta e faz aquela ligao para sua chefe. 
Poderamos sair para almoar em algum lugar, mais tarde.
        -  Pensei que os fazendeiros estivessem sempre muito ocupados para almoar fora.
        - Geralmente estamos, mas este ano a colheita j est bastante adiantada. Aonde gostaria de ir? H vrios pequenos restaurantes onde servem boa comida.
        - O que voc escolher estar bom para mim. Na verdade, poderamos ficar em casa mesmo. No quero lhe dar nenhum trabalho.
        Surpresa, viu-o abaixar-se e beij-la de leve na boca.
        -  Por que fez isso? - Holly indagou.
        -  Senti vontade - ele falou, acariciando gentilmente seu cabelo.
        Ele a beijou como teria beijado uma prima mais jovem, Holly pensou, depois que ele deixou o quarto, e involuntariamente imaginou como seriam os beijos de 
Drew e Rose.



Capitulo IV


        Holly telefonou para Janet do escritrio de Drew, um aposento bastante confortvel cujas portas se abriam para o jardim.
        -  Espere um instante - pediu Janet, atordoada. - Sa da cama h apenas meia hora, Holly, e preciso de tempo para captar tudo o que voc est me contando. 
Explique-se melhor.
        Holly comeou a relatar tudo o que acontecera, hesitando um pouco ao chegar no ponto que sugerira a Drew que fingissem ser amantes.
        -  E ele concordou? - Janet perguntou, incrdula.
        - Bem, ele est muito apaixonado por Rose e deseja que eu fique aqui por mais algum tempo, Janet. Da minha parte, achei uma boa idia, alm do que tenho 
vrios dias de frias para gozar. Ele at contratou meus servios como decoradora.
        E continuou dando explicaes sobre a reforma da cozinha.
        -  Bem, devo admitir que tudo que est me dizendo vem ao encontro do que Luke e eu estvamos discutindo algumas noites atrs. Temos pensado ern abrir uma 
filial na regio norte e gostaramos de que voc ficasse encarregada dos negcios. Seria necessrio que primeiramente voc procurasse o lugar adequado e depois faramos 
os contatos com os bancos e os contadores. Se quiser, j que vai passar alguns dias a, poderia fazer algumas pesquisas e sentir o mercado. Naturalmente ns lhe 
daramos sociedade no negcio e participao nos lucros, mas primeiro precisamos saber se est interessada.
        -  Interessada? Janet, estou atordoada! No sou decoradora!
        - Talvez no, mas voc se relaciona muito bem com os clientes; o que  muito importante. Olhe, no tome nenhuma deciso agora. Pense no assunto enquanto 
estiver de frias. E, Holly, no deposite muitas esperanas nesse seu plano, certo querida?
        - Est insinuando que no terei Howard de volta? - Holly interrompeu-a com voz baixa.
        -  Oh, Holly, voc acha que o ama, mas, acredite-me, voc est muito melhor sem ele. Fale-me mais desse Drew - Janet intimou-a, mostrando curiosidade.
        Holly levou algum tempo falando de Drew. Quando Janet desligou o telefone, sorria satisfeita.
        -  O que est acontecendo? - Luke indagou, ao chegar  sala, notando a expresso divertida da esposa.
        -  Nada importante. Holly deseja tirar alguns dias de frias. Conversamos ligeiramente sobre nossos planos para a nova filial e lhe pedi para que fizesse 
algumas pesquisas onde est.
        -  E isso  to engraado para voc rir desse jeito?
        -  No - Janet respondeu, recusando-se a dar maiores explicaes.
        -  Conseguiu falar com sua chefe?
        - Sim, e ela no fez nenhuma objeo ao meu pedido de frias e adivinhe o que Janet me props?
        Rapidamente Holly explicou-lhe sobre a proposta de Janet, constatando que era bem mais fcil conversar com Drew do que com Howard, que achava seu trabalho 
aborrecido e nunca mostrara nenhum interesse, mudando de assunto sempre que podia, para falar de sua prpria vida profissional. Drew, ao contrrio, mostrava-se bastante 
interessado, fazendo at algumas sugestes quanto ao local a ser escolhido.
        -  Chester  o local ideal, mas muito caro. H ainda Knutsford e tambm Nantwich.
        -  Nantwich?
        -  Sim, verei se consigo algum tempo livre para lev-la at l, se quiser.
        -  Oh, Drew, voc faria isso?
        -  Por que no? Afinal, tudo poder ajudar a reforar nossa imagem.
        -  Nossa imagem?
        -  De amantes inseparveis.
        -  Ah, sim - Holly sentiu-se mortificada ao perceber que em sua excitao se esquecera completamente de tudo aquilo.
        Durante o percurso para o restaurante, falaram ainda da proposta de Janet. O pequeno restaurante era um lugar popular e prprio para reunir pessoas para 
almoo ou drinques, simplesmente. Jane e Guy estavam de p no bar quando entraram. Holly gostava do jeito que Drew a segurava, prximo a ele. Fazia-a sentir-se segura 
e protegida. Jane chamou-os com um aceno.
        -  Todo o mundo est ansioso para saber mais sobre voc e Drew. Vocs causaram um grande impacto. Oh, cus, l vm Rose e Howard.  estranho, pois este no 
 o lugar de preferncia de Rose. Vocs dois vo almoar?
        -  Sim, vamos, e acho que deveramos procurar uma mesa logo, pois j estamos atrasados - Drew anunciou, com voz firme.
        Uma expresso estranha passou por sua fisionomia quando Holly lhe falou que Howard e Rose haviam chegado, parecendo ter ficado aborrecido com a presena 
deles.
        O garom os levou a uma mesa perto da janela, de onde se avistava o jardim. Holly seguiu a sugesto de Drew e pediu o tradicional rosbife. Enquanto esperava, 
olhou ansiosa para a porta.
        -  Pare de se preocupar. Eles no viro aqui. Rose no come nada que no seja servido cru e lindamente decorado.
        O tom seco de sua voz fez com que Holly o olhasse com ateno. Seu comentrio fora quase sarcstico e, de certa forma, no combinava com seus sentimentos 
por Rose. Provavelmente, estava tentando fingir que no estava sendo afetado pelo rompimento recente.
        O salo estava lotado e o garom aproximou-se da mesa para explicar que no havia mais sopa caseira, que haviam pedido antes do prato principal.
        -  Temos pat ou musse de frutos do mar...
        - Ambos parecem deliciosos - Holly lhe assegurou, com um sorriso, tentando mostrar que entendia que no era sua culpa, at que percebeu o olhar de Drew fixo 
em sua pessoa.
        -  O que h? - ela lhe perguntou insegura, corando um pouco.
        - Estava pensando como  agradvel e relaxante estar com uma mulher que trata a todos com tal considerao!
        Holly enrubesceu, sentindo um sentimento agradvel, uma sensao de felicidade que no experimentava h muito, muito tempo e, principalmente, nunca com Howard.
        -   apenas um prato de sopa - ela comentou com simplicidade.
        - Sim... mas conheo mulheres que teriam feito um verdadeiro escndalo s por causa disso.
        Mulheres ou uma mulher? Podia facilmente visualizar Rose agindo dessa maneira.
        Havia uma atmosfera agradvel no pequeno restaurante; vrias mesas estavam ocupadas por famlias. Era disso que sentia falta em Londres, pensou. Dessa sensao 
de fazer parte de uma comunidade.
        -  Pare de pensar nele - Drew aconselhou-a. Surpresa, ergueu os olhos para ele e de repente entendeu o que Drew estava querendo dizer.
        -  No estava pensando nele. Na realidade pensava no quanto sinto falta de tudo isto.
        -  Para mim, voc nunca ser uma garota da cidade.
        - A necessidade obriga. Precisava de um emprego e agora devo confessar que estou bastante entusiasmada com a abertura dessa nova filial.
        -  Janet obviamente tem muita considerao por voc. Conte-me mais sobre seu trabalho.
        -  Oh, no.  a sua vez de me falar sobre o seu - Hlly insistiu.
        - No h muito o que contar. Deixei a escola aos dezesseis anos quando meu pai faleceu, como j sabe. Foi bastante difcil no comeo, mas tive a sorte de 
poder contar com a ajuda de um amigo de famlia, hoje meu padrasto. Ele me incentivou a fazer um curso noturno. Aprendi muito e pude tambm ver os erros que meu 
pai havia cometido.
        - Quer dizer que a fazenda est dando lucros? - Holly indagou.
        -  Lucro suficiente para pagar seus honorrios . - Drew brincou.
        Imediatamente Holly descansou a faca e o garfo.
        - No haver honorrios, Drew, a no ser que voc me deixe pagar cama e comida.
        - Est bem, acalme-se. J havia esquecido que voc  bastante teimosa.
        -  Acha mesmo que sou teimosa?
        -  E isso importa? Pensei que a opinio de Howard fosse a nica que contasse para voc.
        Estranhamente, percebeu que a opinio de Drew realmente contava, embora no pudesse explicar a razo. Talvez porque soubesse, por instinto, que Drew no 
mentiria jamais, que suas respostas seriam sempre honestas, a despeito do que pudessem causar aos outros ou a si mesmo.
        - Sobremesa? - ele perguntou.
        -  No, obrigada. Depois de tudo o que comi, acho que no serei capaz de levantar do lugar.
        -  Caf, ento, e um licor?
        -  Licor no, mas caf vou aceitar.
        Foi um choque descobrir que eram os ltimos no restaurante. Drew a fizera rir com suas histrias sobre os erros que cometera logo que assumira a fazenda. 
Os garons olharam na direo deles vrias vezes, como se tentassem apress-los.
        Holly jamais imaginara que Drew tivesse um senso de humor to aguado e fosse capaz de rir de si mesmo. Sentiu-se at encorajada a contar algumas histrias 
sobre seus primeiros dias de trabalho em Londres.
        Jamais conseguira compartilhar dessa agradvel camaradagem com Howard, ela pensou, ao recusar uma ltima xcara de caf enquanto Drew pagava a conta.
        -  Podemos ir?
        Holly sorriu, apreciando a maneira corts com que ele puxara sua cadeira, ajudndo-a a levantar-se.
        Howard achava que tais atenes eram antiquadas e desnecessrias. Mulheres e homens eram iguais atualmente e, portanto, capazes de abrir portas e puxar suas 
prprias cadeiras.
        A tarde de outono estava agradvel, rica em cores e aromas prprios da estao.
        Um Jaguar novinho em folha estava estacionado ao lado do Range Rover e o corao de Holly disparou ao reconhecer Howard e Rose de p, perto do carro. Deviam 
estar conversando com o casal que no, momento entrava no Porsche vermelho, estacionado um pouco mais distante.
        Forou um sorriso alegre ao aproximarem-se do casal. Era doloroso ver Howard, o seu Howard, com outra mulher. Especialmente com algum como Rose.
        Quando j estavam bem prximos, Rose olhou-a com desdm, e em seguida passou os braos em volta do pescoo de Howard, encostando o corpo ao dele com ostensiva 
sexualidade e o beijou, de um modo to ntimo que fez com que as faces de Holly queimassem de vergonha. Jamais vira casais beijando-se assim em pblico e intimamente 
sentiu-se insegura quanto  prpria sexualidade. Howard jamais a beijara dessa maneira.
        Ao virar-se para entrar no carro, ouviu o riso satisfeito de Rose. No disse uma palavra, mas a expresso de seu rosto revelava angstia e desespero.
        Percorreram vrios quilmetros em silncio at que Drew lhe dirigiu a palavra.
        -  Foi apenas um beijo, Holly, e dado mais para nos aborrecer do que para se satisfazerem.
        Ela ignorou o comentrio e virou-se para olh-lo, mostrando nos olhos todo seu tormento.
        -  Sim, mas ele nunca me beijou assim, nem ningum - ela acrescentou em voz baixa.
        Drew no respondeu. Na verdade o que poderia ele dizer? Havia apenas uma explicao. Howard no tinha nenhum interesse por ela, sexualmente.     
        Ao chegarem  fazenda, Drew anunciou que precisava sair para fazer uma inspeo no gado, Holly ofereceu-se para ir com ele, mas como Drew recusasse, dirigiu-se 
para seu quarto e tentou se concentrar na escolha de um tom adequado para a reforma da cozinha.
        Entretanto, seus pensamentos no estavam voltados para o trabalho.         Desceu novamente e ficou andando pela cozinha, observando os mveis e apreciando 
o contato da madeira lisa sob seus dedos.
        Quando Drew voltou, Holly olhava o espao vazio, sentada imvel em frente  janela.
        -  Por que no acendemos a lareira na sala de estar? Poderamos sentar e escolher o lugar onde faremos nossas primeiras pesquisas para instalar sua filial. 
Tenho vrios mapas.
        -  Quer dizer que em vez de falarmos sobre o noivado de Rose e Howard falaremos de trabalho. Escute, Drew, no h necessidade de me poupar. Posso ver a verdade 
por mim mesma. Howard jamais sentiu por mim o que sente por Rose. Foi uma idia idiota... Acho que seria melhor voltar para Londres.
        -  No pode.  tarde demais agora. Voc j se comprometeu... no s a me ajudar como tambm a ajudar Janet.
        Drew tinha razo. No poderia agir como uma criana mimada e anunciar que iria embora porque constatara em trs ou quatro breves segundos que Howard no 
a desejava mais.
        -  Ainda est aborrecida por causa daquele beijo?
        -  Voc no estaria? Oh, Drew, o que est errado comigo? O que ser que me faz to indesejvel?
        Drew aproximou-se dela segurando-a gentilmente pelos ombros, obrigando-a a olhar para ele.
        -  Oh, Holly, voc no  indesejvel. Longe disso. Devo lhe provar o contrrio? - ele perguntou com voz diferente, uma voz sem nenhum trao de zombaria, 
mas cheia de sensualidade.
        A boca de Holly tremeu ligeiramente e Drew tocou seu lbio inferior com os dedos. Sentiu-se invadir por uma sensao estranha e o corpo enfraquecer. Mas 
um sentimento de proteo a invadiu quando Drew abraou-a, puxando-a gentilmente de encontro ao seu prprio corpo.
        Ele tirara a jaqueta e Holly podia sentir a firmeza de seus msculos sob o tecido fino da camisa. Mesmo reconhecendo que era estranho estar sendo abraada 
por ele, estando apaixonada por outro, no pde deixar de responder s carcias em seus lbios, abrindo-os lentamente e controlando-se para no morder as pontas 
dos dedos que os acariciavam.
        Desejava dizer que entendia sua inteno de consol-la e que nada daquilo era necessrio, mas no conseguira dizer nada, pois sua boca estava sendo coberta 
pela dele.
        Holly deixou escapar um leve som de protesto, o que fez com que Drew a abraasse com mais fora. A mo que acariciava seus lbios, peneirava agora por seus 
cabelos, massageando os pontos vulnerveis atrs da orelha, fazendo-a tremer e encostar seu corpo mais ao dele.
        Os lbios de Drew, at ento suaves, tornaram-se exigentes, obrigando-a a esquecer tudo a no ser a excitao que crescia dentro de si.
        Howard jamais a beijara assim; nunca mordiscara seus lbios; nunca os acariciara com a maciez de sua lngua; nunca a tocara ou a abraara como se fosse infinitamente 
desejvel e preciosa.
        - Abra os olhos - Drew sussurrou, e como que hipnotizada ela obedeceu, surpreendendo-se ao ver os olhos dele brilhantes de desejo.
        E antes que pudesse det-Io, mos firmes deslizaram por suas costas, levantando-a de modo que seus corpos se ajustassem mais e ela pudesse sentir a excitao 
que o dominava.
        Holly estremeceu, chocada demais para fazer algo alm de encostar-se a ele, enfraquecida pela constatao de desejo do Drew.
        No era certo. Drew no a amava e nem ela o amava... Mas ele a fizera sentir-se viva e feminina.
        -  Drew - ela protestou trmula, sentindo os olhos encherem-se de lgrimas de choque e medo. O que estava acontecendo com ela? Sempre acreditara que s deveria 
haver desejo onde houvesse amor e, agora, Drew lhe mostrara como a realidade era diferente.
        -  Eu quero voc, Holly, e posso fazer com que me deseje tambm.
        -  No - Holly protestou com voz tensa.
        - Sim - Drew retrucou e antes que ela pudesse se mover, ele deslizou as mos sobre seu corpo, procurando seus seios e sentindo os mamilos endurecidos, que 
facilmente desmentiam as palavras de Holly.
        - Drew, por favor. No faa isso. No  certo... Ns no... no nos amamos.
        - No. Talvez no, mas nunca mais diga que no  desejvel, Holly, porque no  verdade.
        - Mas Howard no me deseja - ela protestou miseravelmente e quase ao mesmo tempo susteve a respirao ao notar a expresso encolerizada de Drew.
        - E Howard , lgico, o nico homem neste mundo! O comentrio sarcstico de Drew pegou-a de surpresa, e sem perceber deu um passo para trs, afastando-se 
dele.
        -  Sinto muito, Holly.
        - Sei que voc estava tentando ajudar. Sinto estar sendo to idiota. Acha melhor que eu v embora?
        Por um momento Holly pensou que Drew fosse concordar. Mas ele voltou-se para ela com um sorriso amigvel.
        - Sem decorar minha cozinha? Vamos l, Holly, trato  trato.



Capitulo V

        -  Oh, nada mau - foi a resposta de Holly  pergunta de Janet a respeito de como o plano deles ia se desenvolvendo.
        Ao descobrir que seria impossvel conseguir comprar os pincis e escovas de que necessitava, Holly telefonara para sua chefe pedindo que lhe enviasse alguns 
itens.
        -  Drew e eu vamos sair mais tarde. Iremos a Chester hoje e logo que possvel at Nantwich e Knutsford.
        Por alguma razo, deixou de mencionar que a ida a Chester tinha tambm o objetivo de renovar o guarda-roupa de Drew.
        -  Bem, estive no seu apartamento e peguei tudo que imaginei que voc fosse precisar. Estou enviando tudo por um portador e deve chegar amanh logo cedo. 
S faltam os pincis e as escovas. Que cor voc vai usar na cozinha?
        -  Amarelo, suponho, com detalhes em azul e branco. Como s h uma janela, o tom vivo ajudar a clarear o ambiente. Oh, e j que vamos para Chester, Drew 
quer que o ajude a renovar seu guarda-roupa - Holly acrescentou tentando parecer natural.
        -  Ele anda se comparando com Howard e o fato de ser daltnico no ajuda muito.
        -  No ajuda em qu? - Janet indagou.
        - Bem, na sua aparncia. Usa todos os tons sem nenhuma combinao de cores e suas roupas parecem jamais carem bem.
        -  Ah, entendo. Voc vai mudar seu visual. Bem, boa sorte.
        -  Pronta? - Drew perguntou, entrando na cozinha.
        - Quase - Holly respondeu, cobrindo o fone com a mo e em seguida despediu-se apressadamente de Janet.
        Meia hora mais tarde estavam a caminho da cidade e Holly tocou num assunto que a vinha preocupando j havia algum tempo.
        -  Parece lgico tentarmos despertar cime em Howard e Rose, mas como conseguiremos isso se eles nunca nos vem juntos?
        -  Pensei que depois do que aconteceu domingo, voc no desejasse v-los to cedo.
        Holly sentiu-se corar ao lembrar-se de como Drew a beijara naquele dia e como se sentira.
        -  Bem, devo confessar que at agora estou aborrecida em v-los juntos. Mas acabarei me acostumando com o fato.
        -  Ento, acha que nosso plano dar certo? - Drew perguntou.
        Pobre Drew. Tambm sofria com a situao.
        -  Pode ter certeza - ela falou suavemente, tocando seu brao com delicadeza.
        -  Bem, o grupo de teatro local dever encenar uma boa pea nesta prxima semana. Poderamos comear por a.
        -  Acha que eles vo estar l? - Holly perguntou ansiosa.
        -  O pai de Rose  um dos patrocinadores. Alm disso, teremos a noite das bruxas em Grosvenor, que  um tipo de baile  fantasia.
        -  No me parece o tipo de festa que Howard aprecie; ele detestava qualquer mudana de aparncia que pudesse faz-lo cair no ridculo.
        -  Poderamos tentar a festa de aniversrio da condessa de Telford.
        -  claro. A est um local que talvez eles frequentem - Holly concordou, satisfeita. A condessa vivia numa manso em estilo Tudor, bem distante da vila. 
Rica e excntrica, costumava comemorar seu aniversrio com uma festa, para a qual convidava todos os moradores da vila, com a condio de que as mulheres levassem 
a comida e os homens a bebida.
        Era uma festa tradicional do lugar e Rose e seus pais no a perderiam por nada. Alm do que, toda a aristocracia estaria l, o que era mais um motivo para 
no deixarem de ir.
        Ao chegar em Chester, Drew procurou um local adequado e estacionou o Range Rover.
        -  Pretendia lev-la para almoar em Grosvenor, mas minha me telefonou e ao saber que voc estava em casa insistiu para que fssemos almoar com ela.
        Holly esquecera completamente que a me de Drew se mudara para Chester depois do segundo casamento.
        -  James, seu marido, vai estar l tambm. Depois que ele deixou o banco, montou seu prprio escritrio de contabilidade e trabalha s meio perodo.
        -  Voc gosta dele? - Holly perguntou, enquanto Drew fechava o carro.
        -  Muito. Meu pai tornou-se um homem muito amargo nos ltimos anos da sua vida e essa amargura deixou marcas em nossas vidas. Ao contrrio, James tem feito 
minha me muito feliz, coisa que meu pai jamais conseguiu.                                       
        -  E os outros? Sua irm e os meninos gostam dele?
        - Sim, e s poderiam. James mantm a faculdade de medicina de John e Paul em Oxford. Lucy est no Canad, trabalhando para um jornal local.
        -  Alguma vez j desejou no ser o filho mais velho?
        - Ultimamente, no, embora eu tenha de admitir que houve um tempo em que desejei sair pelo mundo. James me ensinou que se pode estar ligado  terra sem deixar 
que o crebro se atrofie. H outros meios de viajar, tais como uma visita  biblioteca mais prxima. Se no tivesse feito o curso noturno teria incorrido nos mesmos 
erros do meu pai, alm dos meus prprios. Tudo na vida pode ser uma aventura e um desafio, se quisermos.
        -  Oh, concordo - Holiy falou, lembrando-se de como ficara desapontada ao constatar, durante o primeiro ano na escola de arte, que jamais seria a artista 
que imaginara.
        -  O que h de errado? - Drew lhe perguntou e Holly contou-lhe em breves palavras como fora sua vida na faculdade.
        -  Mas no final tudo acabou dando certo, porque meu orientador foi to honesto que me fez mudar de curso a tempo. Na poca no imaginava como iria apreciar 
meu trabalho, especialmente quando sou contratada para fazer murais.
        E continuou a contar a Drew sobre uma encomenda que recebera para copiar em um teto uma alegoria do sculo XVII, mas dando ao rosto dos cupidos e dos querubins 
as feies dos vrios moradores da casa e dos seus amigos. O teto, ela acrescentou com uma risada, era no banheiro.
        Os dois riram e de repente Holly exclamou satisfeita:
        -  Oh, olhe! Aquela loja parece do tipo que estamos procurando.
        Entraram e depois de duas horas e meia, Holly concluiu que haviam separado uma quantidade razovel de roupas como base de um novo guarda-roupa. Particularmente, 
Holly gostara da jaqueta, embora Drew reclamasse um pouco de ter de us-la com o cachecol de cashmere.
        Apenas quando foram escolher calas jeans foi que Holly teve algum problema em persuadi-lo a comprar. Drew entrou no provador e depois de dez minutos saiu 
dizendo que elas eram enfeitadas demais para um fazendeiro, mas, de qualquer maneira, foram jogadas na pilha de roupas j selecionadas.
        Os sapatos, meias e gravatas foram escolhidos com cuidado para combinar com as camisas e malhas. No ltimo momento, quando j estavam saindo da loja, Holly 
lembrou-se de um detalhe.
        -  Drew, esquecemos da roupa de baixo.
        Obedientemente, ele entrou de novo na loja e retornou alguns minutos depois com outra sacola de compras.
        A me e o padrasto de Drew possuam uma linda casa, afastada do centro, toda de tijolinho  vista, com um grande jardim murado, nos fundos.
        -  Entrem, vocs dois. O almoo est quase pronto. Devem estar exaustos -- foi o comentrio da me de Drew ao escutar como haviam passado a manh.
        -  Holly, voc no mudou nada, a no ser pelo fato de estar mais bonita. Como vo seus pais? Ainda moram na Nova Zelndia?
        -  Sim. Decidiram fixar residncia l.
        Holly lembrava-se da me de Drew, como uma mulher quieta e tmida e ficou surpresa ao ser recebida por essa figura alegre e elegante.
        -  Ento voc est na fazenda com Drew...
        -  Bem, eu havia feito reserva na pousada, mas meu carro quebrou.
        - E ainda continua na garagem de Murphy esperando um pneu novo, mas deve ficar pronto logo - Drew acrescentou.
        -  Drew foi muito gentil em me hospedar - Holly falou meio sem jeito, no sabendo at que ponto a me dele sabia de seus planos.
        - Bem, Holly tambm est sendo bastante gentil. Ela ir pintar a cozinha para mim e acaba de renovar meu guarda-roupa.
        - J no era sem tempo, Drew. Honestamente, onde voc compra suas roupas? Ah, James est descendo - ela anunciou, levantando-se ao ver o marido entrar na 
sala.
        James Talbot era um homem alto e magro, com cabelos grisalhos e expresso inteligente. Apertou a mo de Holly efusivamente.
        -  Drew nos contou que est interessada em abrir um negcio por aqui - ele comentou, quando j estavam todos sentados  mesa, saboreando o excelente almoo.
        -  Sim, embora eu esteja entrando com uma pequena parte na sociedade.
        Era uma sensao estranha fazer parte de uma famlia novamente. Holly sentia muita falta de seus pais e irmos, mas evitava pensar em como se sentia solitria 
na maior parte do tempo. Porm, naquele momento, ali com Drew e sua famlia sentiu uma dolorosa sensao de solido.
        -  Naturalmente, seria bom para voc poder voltar para casa de novo. Sabe, Holly, nunca a vi como uma garota da cidade - a me de Drew comentou.
        -  No acho que seja mesmo - Holly concordou, enquanto seus olhos se animavam pelo pensamento de que se conseguisse Howard de volta, significaria retornar 
a Londres e  vida que levavam l.
        Depois do caf, Drew e seu padrasto conversaram sobre investimentos e os problemas financeiros da fazenda enquanto a me de Drew lhe contava sobre o resto 
da famlia.
        -  Drew tem uma grande atrao pelo mercado de aes. James acha que ele teria um grande futuro nesse ramo, no fosse sua determinao em tomar conta da 
fazenda. Senti muito remorso quando Drew foi obrigado a deixar o colgio depois da morte do pai, mas ele sempre me garantiu que se tivesse de voltar atrs, faria 
tudo novamente. Drew e eu sempre fomos bastante chegados, talvez porque ele fosse o mais velho quando o pai dele morreu. Holly, no o faa sofrer, sim?
        No faz-lo sofrer. Que tipo de relacionamento Louise imaginava que houvesse entre eles? Antes que pudesse responder, James entrou na sala.
        -  Drew me disse que ele sugeriu Nantwich como um possvel local para seu negcio. Parece uma boa escolha. Por que no vamos at l ns quatro, no domingo. 
Poderemos almoar em Hookery Hall.
        Holly ouvira falar do famoso restaurante que fora inaugurado recentemente em uma das manses vitorianas fora da cidade, mas olhou hesitante para Drew antes 
de aceitar.
        -  Voc cuida da criao aos domingos, no  Drew?
        -  Posso pagar a Tom algumas horas extras - Drew assegurou-lhe.
        - Bem, ento nos encontraremos s onze. Mostraremos a cidade para Holly e depois almoaremos - James concluiu.
        A conversa continuou por mais alguns minutos at que Drew se levantou.
        -  Holly no viu Chester ainda e eu no quero voltar tarde. Simon precisa sair cedo hoje.
        Simon era um dos quatro empregados de Drew e Holly sabia, agora, que sempre que um deles faltasse significava trabalho adicional para Drew.         Sentiu-se 
culpada por estar tomando tanto seu tempo, mas Drew assegurou-lhe que no estava atrapalhando em nada.
        -  Estou surpresa ao ver como sua me est mudada - Holly comentou depois que deixou a casa.
        -  Sim, o casamento com James lhe fez bem.
        - Drew... Acho que sua me acredita que voc e eu... bem, estamos tendo um envolvimento mais ntimo.
        -  Envolvimento ntimo? Quer dizer, que somos amantes? - ele perguntou, sem rodeios.
        -  Bem, sim.
        - E quer que eu corrija o mal-entendido. Mas foi voc mesma que sugeriu que fingssemos estar apaixonados.
        Holly no respondeu. Como poderia explicar a Drew que sentia-se muito mal enganando Louise? S agora percebia como esse plano era perigoso e envolvia mais 
pessoas do que imaginava.
        Seguindo as sugestes de James, comearam visitando algumas imobilirias, mas logo perceberam que os aluguis dos melhores imveis eram altos demais e Holly 
no conseguiu esconder seu desapontamento aps sarem da terceira imobiliria.
        -  A loja teria de ser um sucesso desde o incio, para que pudssemos ter o lucro suficiente para cobrir o aluguel e as taxas, e isso no acontece assim. 
Leva tempo para se formar uma boa reputao.
        -  No fique desanimada. Ainda no esgotamos todas as possibilidades - Drew falou, tentando incentiv-la. Mas Holly no o escutava.
        -  E ainda teremos de construir o showroom. Em Londres, Janet tem um marceneiro que confeccionar os mveis desenhados por mim. Ficam realmente muito bons 
e do uma idia aos clientes do que pode ser feito e da qualidade do nosso trabalho. Seria assim um tipo de mostrurio e sei que o preo de cada unidade  altssimo.
        -  Bem, esse problema pode ser solucionado facilmente. Eu poderia construir as unidades que voc precisar, Holly, se voc...
        -  Oh, Drew. Voc faria isso? Mas voc  to ocupado... No ousaria pedir-lhe para...
        -  No precisa pedir. J me ofereci, a no ser que voc esteja sendo educada e no tenha gostado do meu trabalho. Na verdade,  s um hobby.
        -  No gosto do seu trabalho? Drew, aqueles armrios em sua cozinha so os melhores que j vi.
        - Bem, ento, este problema est resolvido. Os outros sero solucionados da mesma forma. E, agora, quer continuar procurando ou vamos para nossa casa?
        Nossa casa. As palavras soavam bem. Estranhamente a fazenda se tornara sua casa tambm. At mesmo os cachorros haviam parado de latir para ela, como se a 
aceitassem como um membro da famlia.
        - Suponho que seria melhor voltarmos. Gostaria de fazer um pequeno relatrio para Janet do que consegui at o momento.   
        - Bem, no perca as esperanas ainda. No fomos a Nantwich e Knutsford. No poderei sair da fazenda antes de quinta-feira, mas, se voc quiser, poderemos 
dar uma chegada em Knutsford na sexta.
        -  Se meu carro chegar amanh, poderei ir sozinha - Holly replicou.
        - Naturalmente, se prefere assim.
        Holly notou um leve tom de contrariedade na voz de Drew, mas logo concluiu que era apenas fruto de sua imaginao.



Capitulo VI


        -  Trouxe seu carro, senhorita. Est tudo em perfeita ordem agora.
        -  Oh, obrigada. Sinto muito t-lo feito buscar um pneu sobressalente.
        -  Pneu sobressalente? Mas...
        -  Obrigado, Jack. Ento est tudo em ordem?
        Holly no ouvira Drew aproximar-se e o que o mecnico pretendia dizer ficou esquecido no meio da conversa com Drew.
        -  Estranho. O rapaz no me apresentou a conta. Talvez envie pelo correio - Holly comentou depois que o mecnico sara.
        -  J cuidei de tudo, no se preocupe - Drew respondeu, e Holly levou alguns segundos para perceber o que ele queria dizer.
        -  Drew, voc pagou a conta? No pode fazer isso. Por favor, me diga quanto custou.
        - J que insiste - Drew falou em voz baixa, obviamente aborrecido pela sua insistncia.
        Holly seguiu-o at o escritrio, onde ele lhe entregou a nota da oficina.
        -  O que h, Holly. Ficou ofendida por eu ter pagado a conta?
        - No, no  nada disso. Voc j fez tanto por mim, Drew. Continue assim e me transformar numa parasita intil.
        -  No voc - ele lhe assegurou e aquelas palavras tocaram o corao de Holly.
        Embora no quisesse admitir, esperava que Drew lhe pedisse para deixar a visita a Knutsford para sexta-feira, mas como ele no tocasse no assunto, decidiu 
fazer a pequena viagem sozinha no dia seguinte.
        Knutsford era uma cidadezinha agradvel, onde se notava grande influncia italiana na arquitetura dos prdios e casas.
        O primeiro corretor que visitou era um homem agradvel, mas pareceu que no a estava levando a srio. Naquele momento, lamentou no ter Drew ao seu lado. 
Drew era o tipo de homem que imediatamente impunha respeito e merecia a ateno de outros homens, mesmo tratando a todos com cortesia e considerao. No como Howard 
costumava fazer, impondo-se com arrogncia e agressividade.
        E como num passe de mgica, seus pensamentos tornaram-se realidade e ela quase foi de encontro a Howard ao virar uma esquina.
        Rose no estava com ele e Howard pareceu contrariado ao v-la.
        Holly no pde deixar de notar o modo como ele desceu da calada, afastando-se como se temesse toc-la. Isso a deixou furiosa.
        -  O que h, Howard? Tem medo de que algum nos veja juntos e conte para Rose?
        -  No seja ridcula, Holly. O que est fazendo aqui? Pensei que estivesse em Londres a esta hora.
        Na verdade, era o que ele gostaria que tivesse acontecido.
        Era como se tirasse uma venda dos olhos: Holly constatou, com tristeza, que observava-o sem nenhuma afeio. O Howard que amara fora uma iluso, um mito, 
uma fantasia, mas no um ser humano real. A percepo dessa realidade a assustou. O homem, ali de p a sua frente, no era nem mesmo algum de quem pudesse gostar, 
quanto mais amar.
        -  Drey pediu-me para ficar - ela respondeu, distrada. No amava mais Howard. Olhou para ele e maravilhou-se ao perceber que nada sentia... absolutamente 
nada.
        Percebendo a frieza do olhar de Holly, Howard corou.
        -  Cuidado, Holly. Vingana nunca traz bons resultados. O que est fazendo em Knutsford, afinal?
        -  Nada que seja da sua conta, Howard, e agora, se me d licena...
        Enquanto se afastava, Holly sentiu uma gloriosa sensao de alvio e liberdade. Sua vontade era de rir e danar pela rua. O azul do cu era lindo, o sol 
quente e as rvores maravilhosas com suas folhas amarelecidas pelo outono. Na verdade, o mundo todo parecia lindo.
        Ainda sorria, quando entrou na segunda imobiliria. O corretor foi um pouco mais prestativo e ao deixar a cidade, uma hora mais tarde, sentia-se bem mais 
esperanosa do que quando deixaram Chester.
        Animada, dirigiu rapidamente para casa, ansiosa para contar a Drew as novidades. S que ele no estava l. Peter, o vaqueiro, um dos empregados mais velhos 
da fazenda, veio receb-la, dizendo que seu patro fora a uma reunio do Conselho da igreja e que ela no o esperasse para o jantar.
        A casa ficava estranhamente vazia sem Drew. Comeou a andar pela cozinha, tentando se concentrar no trabalho que tinha pela frente. O material havia chegado 
aquela manh e pretendia j fazer alguns esboos iniciais.
        Da janela podia ver as folhas do castanheiro balanarem ao vento, que comeara a soprar de repente. Algumas delas voavam como se fossem uma nuvem amarela. 
Sim, folhas douradas poderiam ser o tema de seu trabalho.
        Sentiu os dedos formigarem pela vontade de comear o trabalho e subiu correndo as escadas a fim de buscar seu equipamento no quarto. No tinha cavalete, 
mas a mesa de cozinha serviria como prancha de trabalho.
        Holly passou a prxima meia hora totalmente absorta no que fazia, esboando linhas que comporiam seus desenhos finais. No satisfeita com o resultado, decidiu 
que precisava mesmo era de um punhado de folhas reais.         Ainda estava claro e o castanheiro ficava do outro lado dos pastos.
        No querendo perder tempo trocando de roupa, decidiu ir como estava. Para a viagem de Knutsford usara saia plissada cinzenta e um suter no mesmo tom. O 
vento estava bastante frio l fora e acho bom estar vestindo algo mais quente. Felizmente o cho estava seco e a porteira que dava para o primeiro pasto abriu facilmente. 
Holly tomou cuidado em fech-la atrs de si, mesmo sabendo que Drew no deixava o gado ali.
        O pequeno rebanho de leite fora recolhido para o perodo de inverno e ela presumiu que o mesmo fora feito com o gado de corte.
        O castanheiro estava mais longe do que imaginara e seus ps doam um pouco quando chegou ao segundo pasto.
        O vento forte vindo das montanhas Welsh atingiu-a fazendo seus cabelos esvoaarem pelo rosto, tapando-lhe a viso. Mesmo assim, conseguiu chegar  rvore 
e comeou a recolher algumas folhas cadas no cho.
        Absorta em sua tarefa, demorou alguns segundos para perceber que no estava sozinha no campo. Imvel, a alguns poucos metros de distncia, estava o touro 
premiado de Drew.
        Levantando-se rapidamente, encarou o animal aterrorizada. Por um momento, nenhum dos dois se mexeu at que o animal fez um ligeiro movimento na direo dela.
        Holly gritou, deixando cair as folhas, e comeou a correr o mais rpido que podia em direo  cerca. Por que, oh, por que no verificara o pasto antes de 
abrir a cancela? Atrs de si podia ouvir o barulho das patas do touro tocando o solo.
        Sentiu o corao acelerado pelo pnico, a adrenalina correndo freneticamente por suas veias, fazendo-a esquecer-se de tudo, a no ser da necessidade de escapar 
dali.
        A cancela estava prxima e aberta. Aberta?
        -  Holly!
        Ao ouvir a voz de Drew chamando-a, comeou a gritar e ao v-lo aproximar-se jogou-se em seus braos, s que seu p escorregou na relva mida e ela caiu, 
batendo o corpo no cho com toda fora e expelindo o pouco oxignio que tinha no pulmo. No momento seguinte tudo se apagou de sua lembrana.
        Quando acordou, estava deitada em segurana do outro lado da cerca.
        -  Sente alguma dor, Holly?
        - No - respondeu com voz fraca, tentando sentar-se, mas foi empurrada gentilmente para trs.
        -  Foi um tombo e tanto. Fique deitada mais um pouco at se recuperar completamente. O que aconteceu?
        -  Queria algumas folhas... estava preparando meu desenho e pensei que o pasto estivesse vazio, achei que o touro estivesse preso.
        -  Touro? Oh, Septimus! Sim... compreendo - Do outro lado da cerca, o animal que fora criado com mamadeira pela esposa do vaqueiro de Drew, depois que a 
me morrera,   permanecia   ali   ligeiramente   agitado, movimentando-se de um lado para o outro.
        -  No se levante, Holly. Vou carreg-la at a casa. Oh, e no se preocupe com sua saia. As manchas devem sair.
        -  Minha saia? Oh, sim, est toda suja de lama.
        -  No  lama, exatamente - Drew informou-lhe, meio aflito.
        Ignorando os protestos de Holly, Drew levantou-se e a carregou de volta  casa. Aparentemente, ningum mais testemunhara o acontecido e Holly estremeceu 
ao imaginar o que poderia ter acontecido se Drew no aparecesse.
        -  Mas como  que voltou to cedo? Peter me falou que voc s chegaria bem mais tarde.
        -  A reunio de Conselho da igreja foi cancelada. O vigrio foi chamado pelo bispo, para tratar de um assunto urgente e no teve tempo de desmarcar a nossa 
reunio.
        -  H quanto tempo voc est no Conselho?
        - H um ano, apenas. A opinio geral dos membros era de que precisavam de sangue novo, e me convidaram para o cargo. No temos de tomar grandes decises, 
mas acho o trabalho interessante.
        Ao entrarem na cozinha, Drew colocou-a no cho.
        -  Acho melhor voc tirar a saia e o suter aqui em baixo e depois subir para tomar um banho quente. Tem certeza de que no quer que chame o mdico?
        -  No, no h nada fraturado. Somente alguns arranhes - Holly admitiu, comeando a protestar quando Drew abaixou-se para desabotoar sua saia.
        -  Drew, posso fazer isso sozinha.
        -  Sei disso, mas ser muito mais rpido se eu a ajudar. Voc est em estado de choque ainda. Humm... cheiro forte, no  mesmo?
        -  Estou surpresa que no me tenha esguichado l fora, como faz com os cachorros.
        Drew riu.
        -  Ah, mas eles fazem isso deliberadamente e, no seu caso, foi um acidente. Pelo menos...
        Parou de falar enquanto tirava o suter de Holly e sorriu para ela. Ao retribuir o sorriso, Holly teve a sensao de que seu corao ia parar de bater, fazendo-a 
prender a respirao.
        -  Holly, tem certeza de que est bem? - Drew perguntou e o sorriso desapareceu de seu rosto.
        -  Sim, e estarei melhor aps o banho.
        - Acho melhor carreg-la at l em cima. No quero que desmaie novamente.
        -  No, Drew. Posso subir sozinha - ela protestou, mas ele mostrou-se surdo a suas objees. Levantou-a com facilidade, carregando-a nos braos como se nem 
notasse seu corpo nu, coberto apenas pelo suti e pela calcinha de renda.
        - Como foi sua viagem a Knutsford? - Drew perguntou to naturalmente, ao chegarem ao topo da escada, como se estivessem conversando  mesa no jantar.
        -  Bem - Holly respondeu rapidamente.
        - Parece que Howard tambm estava l, esta tarde. No cruzou com ele, por acaso?
        -  Sim, na verdade, sim. Como soube que ele estaria l?
        - Oh, Rose me contou - Drew informou-lhe despreocupadamente, usando o ombro para abrir a porta do banheiro.
        -  Rose?
        - Sim. Ns nos encontramos na frente da igreja. O pai dela faz parte do Conselho e ela foi lev-lo at l.
        -  Vocs conversaram?
        Holly estremeceu ante o impacto da descoberta. Sentia um forte cime. Jamais experimentara sensao igual. Era como se um fogo interno a consumisse; destruindo 
e machucando. Sentia cime de Rose, no por causa de Howard, mas por...
        -  Hem... voc est bem?
        -  Sim. Rose e Howard...
        -  Oh, ainda continuam noivos.
        Holly sentiu um grande alvio e ao mesmo tempo remorso por estar mentindo para Drew. Sabia que no mais amava Howard, mas duvidava que ele fosse capaz de 
esquecer Rose. Era seu dever dizer-lhe a verdade.
        -  Drew, acho que nosso plano no ir funcionar, afinal. Suponho que devemos aceitar o fato de que eles se amam e que vo se casar. Da minha parte, sei agora 
que no...
        -  Desistir? De jeito nenhum. Devemos continuar tentando. Voc est deprimida neste momento e estou certo de que amanh ver tudo de modo diferente. Na realidade, 
voc estar melhor depois de um banho e de uma boa refeio. Vou lhe dar meia hora para descansar na gua quente e depois lhe chamarei para jantar. Gosta de ovos 
mexidos?
        -  Drew...
        -  Vai dar tudo certo, Holly. Prometo-lhe. Tenha f... Beijando-a de leve nos cabelos, colocou-a sentada numa cadeira enquanto cuidava de encher a banheira.
        -  Meia hora, lembre-se. E, Holly, se sentir fraqueza ou qualquer outro problema, por favor, chame. Deixarei a porta aberta.
        Era agradvel ser tratada daquela forma. Porm a sensao que experimentara ao ser carregada por ele, no era s de conforto, mas sim de excitao, apreenso, 
desejo. Sentia tudo isso e muito mais.
        Apaixonara-se por Drew! Sentou-se na banheira, olhar fixo no vazio, enquanto sua mente e seu corao captavam o verdadeiro sentido de suas palavras.
        Com ele era diferente. Com ele sentia-se... sentia-se mulher, constatou trmula. Com Drew, bastava apenas olh-lo para que seu corpo comeasse a tremer. 
Bastaria que a tocasse e...
        -  Holly, seu tempo est esgotado! Imediatamente saiu da banheira e secou-se apressada com a toalha felpuda.
        Drew no lhe trouxera roupas e assim enrolou-se na toalha, como se fosse um sarongue, e saiu do banheiro indo encontr-lo no topo da escada.
        -  Voc no me levou nenhuma roupa - Holly comentou corando um pouco ao notar os olhos dele observando seus ombros e braos nus.
        -   verdade, no levei - ele concordou.
        Holly prendera os cabelos pretos e sedosos no alto da cabea e Drew tocou de leve numa mecha que se soltava.
        - Voc parece uma criana, com esse olhar inocente e pele ruborizada - ele comentou suavemente.
        -  Drew - ela protestou, prendendo a respirao.
        -  O que deseja de mim, Holly? Isto?
        Holly tentou murmurar algo, mas era tarde demais: os braos dele j a envolviam e sua boca acariciava o contorno macio dos lbios dela.
        Como pudera imaginar que no seria capaz de sentir desejo?, Holly perguntou-se inebriada, enquanto Drew mordiscava seus lbios; de leve a princpio e em 
seguida com mais violncia ao perceber que o corpo dela se arqueava de encontro ao dele.
        Holly sentiu uma sensao de prazer percorrer-lhe o corpo e achegou-se mais a ele. Drew acariciou-lhe os ombros, e as suas mos desceram pelas costas nuas 
sob a toalha felpuda.
        O que acontecera aquela mulher hesitante e reticente, que acreditava que o prazer fsico era algo a que no tinha direito?
        Um desejo incontrolvel apossou-se dela e como se adivinhasse seus sentimentos, Drew apertou-a mais, fazendo pequenos crculos com a lngua em torno dos 
lbios macios de Holly, excitando-a ainda mais.
        -  Holly, no posso fazer amor com voc aqui na escada. Deixe-me lev-la at meu quarto.
        Fazer amor com ela... Todo seu corpo estremeceu de prazer. Na verdade, estava prestes a se entregar a ele, quando abruptamente despertou para a realidade. 
Drew no a desejava, ela era apenas uma substituta de Rose, e, tolamente, deixara-se apaixonar por ele.
        Para surpresa de ambos, Holly irrompeu num choro convulsivo, fazendo com que Drew a soltasse suavemente.
        -  Sinto muito. Acho que  devido ao choque.
        -  Ou  minha audcia em querer fazer amor com voc? - Drew perguntou em tom seco.
        Sem coragem de olhar para ele, Holly no viu que os olhos de Drew mostravam toda a dor que sentia.
        -  No, no  isso.  o efeito retardado de ter sido perseguida pelo touro. Drew, tive tanto medo - Holly falou, em tom sincero, mas evitando contar que 
chorara mais pelo fato de ter descoberto que o amava. Tudo o que precisava agora era faz-lo esquecer que correspondera apaixonadamente ao seu beijo.
        Todos sabem que os homens podem facilmente se deixar excitar por mulheres que no amam, mas as mulheres... bem, so diferentes. Precisava distra-lo para 
que no comeasse a indagar sobre seu comportamento apaixonado, uma vez que ainda amava Howard.
        -  No sabia que o touro ficava naquele pasto.
        -  Holly tenho algo a lhe confessar. O touro no estava l.
        -  Mas como? Ele me perseguiu.
        -  Septimus a perseguiu. Vamos descer e lhe explicarei tudo durante o jantar.
        Desnorteada, Holly deixou-se conduzir escada abaixo.
        -  Achei que poderamos comer na sala de estar, esta noite.  mais aconchegante.
        Drew acendera o fogo e as chamas crepitavam agradavelmente. L fora, o vento soprava forte, fazendo os galhos das roseiras rasparem nos vidros das janelas.
        Os ovos mexidos que ele preparara estavam timos, mas Holly estava sem fome, o dia havia sido cheio de incidentes e nesse momento sentia-se exausta.
        -  Fale-me de Septimus - ela pediu, aps ter comido um pouco.
        - Septimus  um boi castrado, e no um touro... Foi criado com mamadeiras pela esposa de Peter. Os garotos brincam muito com ele e se tornou um animal de 
estimao. J deveria ter sido vendido meses atrs, mas no tive coragem. Ele no estava perseguindo voc, Holly. Queria apenas brincar como faz com os garotos.
        -  Oh, voc deve estar me achando uma completa idiota.
        No mesmo instante, Drew confortou-a segurando as mos dela entre as suas.
        - De modo algum. Acho que me sentiria aterrorizado da mesma forma, ao ter de atravessar uma rua movimentada de Londres sem o auxlio dos semforos. No fique 
embaraada. Apenas sinto que tenha levado um susto to grande. Devia ter lhe falado da predileo de Septimus por amigos humanos.
        -  Pobre Septimus. Acho que foi um choque para ele, me ver correndo e gritando daquela forma.
        -  Bem, se desejar poder se desculpar qualquer dias destes. Farei as necessrias apresentaes.
        -  Oh, Drew, voc  to bom. Rose deve ser uma tola.
        - Por amar Howard?- Drew perguntou, olhando-a diretamente nos olhos.
        - Howard  Howard e voc  voc. Voc dois so completamente diferentes. Posso amar Howard, mas isso no me impede de ver como voc...
        - Como eu seria perfeito para Rose - Drew acrescentou em tom amargo.
        -  Desculpe-me. No deveria ter dito nada.
        - Por que no?  bom saber a verdade. Diga-me, Holly, se Howard no existisse, acha que eu poderia ser considerado o melhor em vez de ficar em segundo plano?
        - Oh, Drew... voc no est em segundo plano - Holly protestou, infeliz por v-lo sofrer tanto.
        Drew olhou-a longamente e depois levantou-se.
        -  Acho melhor dar uma olhada na criao... antes que faa algo de que possamos nos arrepender mais tarde.
        Algo como fazer amor com ela, mas desejando Rose? Holly gostaria de estar perto dele, acarici-lo... mas para que se atormentar? Era mais sensato cultivar 
a amizade que havia entre eles e fazer do amor que sentia por Drew um segredo s seu.



Capitulo VII


        O resto da semana transcorreu sem incidentes. Holly terminou seu desenho e comeou a trabalhar nos armrios da cozinha, fazendo as misturas de tintas com 
cuidado at conseguir os tons desejados.
        Numa das manhs, Drew a acordou cedo, um pouco depois das seis, e comunicou-lhe que iriam colher cogumelos. Holly reclamou um pouco quando ele abriu a janela, 
deixando o ar frio da manh entrar no quarto, mas o cheiro de caf fumegante que lhe trouxera e a perspectiva de passar algumas horas com ele era muito mais tentadora 
do que passar a manh na cama.
        Drew lhe pedira para vestir roupas quentes e usar botas de cano alto, pois os campos estariam completamente molhados pelo sereno. Na realidade, constataram 
que havia uma forte nvoa no meio do caminho, escondendo toda a paisagem. Como se quisesse compartilhar com Holly o misticismo daquela manh, passou os braos sobre 
os ombros dela, fazendo-a virar-se de frente para os rochedos Alderley.
        -  Preste ateno. Logo que a nvoa comear a se dissipar, poderemos ver claramente. J esteve l alguma vez? - Drew perguntou-lhe, apontando para as escarpas.
        -  Sim, uma vez, com meus pais.  um lugar lgubre. Inmeras rvores, mas nenhum sinal de vida, nem mesmo o canto de um pssaro.
        - Uma lenda conta que Merlin vive numa caverna e aguarda apenas o momento certo para reaparecer.
        Os olhos de Holly estavam arregalados e Drew segurou o rosto dela entre as mos.
        -  Voc parece assustada. Sinto muito, no tive inteno de lhe causar medo.
        -  No estou com medo.  que s vezes penso em quantas pessoas estiveram aqui antes de ns e como  antiga est terra...
        -  Sim, so pensamentos estranhos. Muitas vezes me ocorrem quando estou na igreja e observo os tmulos dos soldados normandos que lutaram contra os gauleses 
e lembro que esta terra j presenciou muito conflito e muito sangue foi derramado aqui... Bem, viemos aqui para pegar cogumelos e no para meditar sobre o passado, 
no  mesmo?
        Ele a olhou, sorrindo, e Holly pensou que fosse beij-la.
        Holly desejava que ele a beijasse. Desejava ser abraada por ele, desejava ser livre pra ceder aos seus instintos e emoes; desejava mostrar-lhe como o 
amava, mas subitamente Drew tirou os braos de seus ombros e se afastou.
        A vontade de Holly era de gritar de raiva e desapontamento, mas em vez disso pegou a cesta que Drew carregava.
        -  Certo, onde esto os cogumelos?
        Na volta, Drew apresentou-a a Septimus que, apesar do grande porte, mostrou-se dcil e afetuoso, tal qual Drew lhe contara.
        Enquanto andavam lado a lado em direo a casa, Drew colocou o brao em volta de sua cintura e a segurou bem junto a ele. Pega de surpresa, Holly olhou-o 
e se perguntou novamente como Rose poderia t-lo trocado por Howard.
        Comeram os cogumelos no almoo, numa omelete que Drew disse ser sua especialidade. Em troca, Holly prometeu que prepararia o jantar. Como Drew tivesse negcios 
a tratar em Chelford, Holly aproveitou para ir ao supermercado.
        Duas horas mais tarde, com os braos carregados de sacolas de compras, dirigiu-se para o Land Rover. Comprara, entre outras coisas, salmo fresco e morangos.
        -  Ao que parece, comprou o mercado inteiro, no? - Drew perguntou-lhe, alegre, enquanto a ajudava com os pacotes.
        -  No tanto, mas foi uma tentao. E voc? Como foram os negcios?
        -  Suponho que bem. Os primeiros bezerros, crias do meu touro, esto completando um ano e eu queria saber como  que eles esto indo. O touro  resultado 
de um cruzamento e no  muito aceito nesta regio. Acho que arrisquei um pouco em compr-lo, mas at agora os resultados esto sendo bons.
        -  Criar animais parece um negcio complicado e cheio de riscos - Holly comentou ao entrar na caminhonete.
        -   verdade, especialmente nos dias atuais em que h muita competio. Espero que tenha algo para comermos nestes pacotes, do contrrio teremos de nos contentar 
com os fils de sempre.
        Depois do jantar, quando Drew perguntou-lhe se gostaria de ir at Chester ou at o pub local, Holly balanou a cabea e se esticou preguiosamente na cadeira. 
Sentia-se muito bem onde estava e Drew parecia sentir o mesmo, pois no insistiu e nem mencionou o fato de que h vrios dias no tentavam provocar cime em Rose 
e Howard.
        Apenas um fato iria estragar aquele dia perfeito, Holly refletiu, ao subir as escadas. Iriam dormir em quartos separados. Estremeceu ligeiramente, ao perceber 
como se iludira. Imaginara que sua permanncia ali seria indefinida, e que era parte integrante da vida de Drew, quando na realidade...
        Hesitou ligeiramente ao chegar ao topo da escada. Seu bom senso lhe dizia que o mais certo seria contar a Drew que no estava mais apaixonada por Howard 
e que no havia mais necessidade de continuarem com aquela farsa. Poderia se mudar para um hotel no muito caro perto de Chester, at que conseguisse encontrar o 
local adequado para a nova loja de Janet.
        Mas desde quando o bom senso era levado em conta por uma mulher apaixonada?
        Percebendo que ela parara e se virara ligeiramente, Drew perguntou em tom brincalho.
        -  Quer que a carregue at a cama, dorminhoca?
        Por um momento sentiu-se tentada a aceitar. Drew parecia gostar dela e de seus beijos; era um homem solitrio e muito carente.
        Uma sensao aterrorizante invadiu-a ao perceber o futuro que teria pela frente. Que mulher desprezvel seria se o encorajasse, sabendo que ele amava outra?
        - Carregar-me para a cama? Depois de tudo o que venho comendo ultimamente? Acho que no  uma boa idia. No sou igual a Rose - Holly completou, e sua voz 
denunciou todo o cime que sentia.
        -  Ela  magra demais. No tente mudar, Holly. Voc  perfeita assim como .
        Satisfeita ao ouvir aquelas palavras, levantou a cabea para olh-lo. Drew ia beij-la. Sabia que iria. Percebeu que ele esticava o brao para pux-la e 
deixou seu corpo obedecer ao comando dele.
        Drew a apertou mais um pouco, colando o corpo ao dela. Depois mordiscou-lhe a orelha, sussurrando ternamente.
        -  Holly...
        Segurou seu rosto com as mos forando-a a olh-lo e sua boca desceu sobre a dela, acariciando, umedecendo, mordendo.
        Ouviu-o gemer. Um som feroz, som de desejo masculino que quase o fez parecer um desconhecido e no o Drew que ela conhecia. Com delicadeza, mas firmemente, 
ele encostou-a na parede, fazendo-a sentir toda a fora de sua virilidade.
        Holly percebeu que o corao dele batia freneticamente e chegou-se mais a ele. No deveria haver culpa ou remorso. Com carinho, Drew apertou seus seios com 
ambas as mos, abrindo a fina blusa de seda, e ela choramingou mansamente, cega... bbada de amor e desejo.
        -  Holly! Holly! Preciso v-la... Toc-la...
        Holly no ouvia as palavras, apenas o som angustiado da voz de Drew.         Assentiu com impacincia, enquanto ele lhe tirava a blusa, com mos trmulas. 
Os seios firmes saltaram imediatamente.
        -  Sabia que voc era linda, mas no to perfeita assim...
        Instintivamente, Holly levantou os ombros, obedecendo ao instinto feminino que vinha de dentro dela e segurou a cabea escura de Drew enquanto ele gentilmente 
tocava seus seios com os lbios midos. O cabelo dele parecia seda entre seus dedos.
        O calor de sua boca contra a pele excitava-a, fazendo-a tremer.
        E, ento, cruelmente, sua conscincia lembrou-a da verdade. Drew no a amava... estava apaixonado por Rose.
        No mesmo instante afastou-se. Percebeu que Drew resistia para logo em seguida solt-la. Seu rosto estava congestionado pela paixo, seu corpo tenso e rgido.
        -  Drew, no devemos. No  certo.
        Por um momento, Holly pensou que ele iria ignorar suas palavras e simplesmente carreg-la para a cama, mas, logo, como que controlando um impulso, afastou-se 
dela.
        -  Voc est certa. A proximidade s vezes traz problemas como este. Nem sempre funciona da forma que desejamos.
        Ao v-lo dirigindo-se para o quarto, Holly desejou que tivesse ignorado suas palavras e tivesse feito amor com ela. Mas que benefcio isso poderia trazer?
        O tempo mudara. O vento soprava forte, jogando folhas amarelecidas contra as vidraas. Naquele dia iriam almoar com Louise e James em Rookery Hall. Felizmente, 
Janet lhe mandara um de seus vestidos prediletos, um modelo em l vermelha, que lhe caa muito bem, valorizando as curvas de seu corpo. Holly sabia que ficava bem 
com ele, podia ainda usar o blazer de veludo preto sobre o vestido.
        Deitada ali, tentando desesperadamente no pensar nos acontecimentos da noite anterior, ouviu passos do lado de fora do quarto. Drew j deveria estar de 
p, pensou, embora lhe tivesse dito que no precisariam acordar muito cedo.
        Jogou do lado as cobertas e sentou-se na cama no exato momento em que ele abriu a porta, surpreendendo-a um pouco, pois usava um roupo de toalha e o cabelo 
estava completamente molhado. Holly sentiu o perfume de sabonete e xampu que exalava de seu corpo musculoso quando ele a puxou pela mo.
        -  Drew, o que h? O que aconteceu? - ela perguntou, seguindo-o pelo corredor at o outro quarto.
        -  No h nada errado. Apenas preciso saber o que devo usar hoje - Drew respondeu, empurrando-a para dentro.
        -  Voc me trouxe aqui para escolher suas roupas?
        -  Sim, pensei que seria mais fcil do que levar tudo ao seu quarto.
        -  Mas, Drew, ainda no estou vestida.
        S neste momento ele a olhou e Holly desejou no ter chamado sua ateno para o fato de ainda estar s de camisola. Notou que o olhar de         Drew pousava 
sobre o volume de seus seios sob o tecido de algodo.
        -  Deveria ter pensando nisso tambm.
        Antes que ela pudesse dizer qualquer outra palavra, ele puxou o cobertor da cama e embrulhou-a nele.
        -  Acho que ser suficiente para aquec-la. 
        Aquecer? No era exatamente nisso que pensara. Mas achou melhor parar de protestar.
        Drew abriu uma das gavetas e retirou uma das camisas que haviam comprado e depois, antes que Holly pudesse impedi-lo, despiu o robe, jogando-o na cama.
Vestia um short do tipo usado pelos boxeadores, mas bem mais curto do que costumava ver nos manequins das revistas de moda. Engoliu em seco, tentando controlar seus 
pensamentos. O corpo de Drew, devido  grande ativida-de fsica, era forte e musculoso e extremamente saudvel. Uma camada de plos cobria, no s o peito largo, 
mas tambm descia numa linha fina, desaparecendo dentro do short.
        Holly sentiu a boca seca e passou a lngua pelos lbios, perguntando-se o motivo de estar respirando com tanta dificuldade.
        -  O que acha? - Drew perguntou-lhe depois de ter vestido a camisa, e ela levou vrios segundos at perceber sobre o que ele falava.
        -  Parece bem, Drew... O que mais pretende usar?
        -  Esta cala e o bluso de tweed - Drew respondeu, mostrando-lhe a cala lisa que haviam escolhido.
        - Ser que compramos tambm uma camisa azul? Acho que combinaria melhor.
        Drew remexeu nos armrios e achou a camisa, ainda dentro da embalagem plstica. Depois de alguns segundos tentando abrir o pacote, aproximou-se de Holly 
e entregou-o a ela.
        -  Pode me ajudar? No estou conseguindo abrir.
        Era pura tortura, continuar ali sentada enquanto ele trocava de camisa, mexendo o corpo sinuosamente. A vontade que sentia era de correr para ele e toc-lo.
        Afinal, ao ver que Drew completou a combinao das roupas, dirigiu-se para a porta, mas Drew alcanou-a e tocou de leve no brao. No era mais do que um 
toque, mas a fez estremecer violentamente e virar-se para ele.
        -  Holly, o que h?  por causa da noite passada?
        -  No... no  isso.
        -  Ah, ento h algo mais...
        - No sei. Digamos que no estou acostumada a ficar perto de homens semidespidos.
        -  Fica perturbada?
        Meio hipnotizada, jogou a cabea para trs, sentindo que no iria resistir por muito mais tempo.
        -  No... sim... Oh, Drew, est na hora. Preciso me arrumar, do contrrio nos atrasaremos! - Holly exclamou ao ouvir as badaladas do velho relgio, vindas 
l de baixo.
        Ele a observou entrar no quarto com olhar desapontado.
        Sempre se considerara um homem paciente, mas havia momentos... O erro havia sido seu, mas no resistira ao impulso de provoc-la um pouco, especialmente 
depois do que acontecera na noite anterior.


Capitulo VIII


        Holly aprontou-se com cuidado para o almoo. Resolveu pr o vestido vermelho que valorizava sua figura e contrastava com os cabelos pretos e a pele clara. 
Colocou os brincos de prola que ganhara de seus pais quando completara vinte e um anos, imaginando que esse smbolo familiar pudesse proteg-la.
        Mas proteg-la de qu? De Drew? No, dela mesma. Estremeceu ao lembrar que quase cometera uma tolice em contar a Drew que o amava. Felizmente, se controlara 
a tempo.
        A nvoa da manh desaparecera, revelando o cu de um azul-plido e um sol brilhante, mas frio.
        No carro, a caminho de Nantwich, vendo a paisagem passar, lembrou-se do olhar de Drew ao v-la descendo as escadas. Notara um brilho estranho em seus olhos, 
algo que fez seu corao bater descompassado e deixar seus nervos  flor da pele.
        - Logo chegaremos. Voc sabe,  claro, que o nome Nantwich vem dos tempos romanos e se refere ao sal que era extrado nesta regio - Drew falou, tirando-a 
de seus pensamentos.
        - Sim. Nantwich, Middlewich e Northwich eram todas cidades romanas produtoras de sal - Holly completou.
        Estivera l alguns anos atrs, mas agora ficara impressionada pela quantidade de lojas atraentes e finas que a me de Drew lhe mostrou. Aps um breve passeio 
a p pela cidade, Drew avisou que estava na hora de irem para o restaurante.
        Enquanto se dirigiam para os carros, Holly considerou que Nantwich poderia muito bem ser o local certo para a nova loja. Gostara instantaneamente do ambiente 
e a proximidade a Rookery Hall, com sua clientela exclusiva, alm da atrao exercida pelas pequenas lojas davam uma impresso favorvel.
        Se o padrasto de Drew estivesse certo com relao aos preos, que ele garantira serem ainda bastante razoveis, seria possvel alugar uma casa para instalar 
a loja? E para ela mesma? Era algo em que precisava pensar. Talvez uma casa de dois ou trs andares fosse o ideal. Poderia ocupar um dos andares como moradia e instalar 
a loja no outro.
        -  Volte  terra, Holly. Estamos aqui.
        Holly ouviu a voz de Drew e percebeu que haviam chegado ao carro. Dirigiu-lhes um sorriso, tentando se desculpar. Estava to distante que nem se lembrou 
como Howard ficava irritado quando notava seu entusiasmo pelo trabalho. Porm, no havia raiva nos olhos de Drew, mas sim um certo ar de curiosidade.
        - Desculpe-me. No sabia que Nantwich mudara tanto. Estava distrada fazendo planos...
        -  Acha ento que ser um bom local para o negcio?
        - Sim, especialmente se os preos forem razoveis. Se pudesse, gostaria de comprar a propriedade... que entraria como minha parte na sociedade. Mas no sei 
se isso pode ser feito.
        - Pode conversar com James sobre o assunto. Ele est bem informado a respeito dos emprstimos que podem ser obtidos e tambm poder esclarec-la a respeito 
da formao de uma sociedade.
        Rookery Hall no ficava distante de onde estavam e Holly, que no conhecia o restaurante ainda, ficou maravilhada ao ver como o lugar era lindo. Graas ao 
trabalho e entusiasmo dos atuais proprietrios, convertera-se num hotel e restaurante exclusivos e muito bem conceituados.
        Foram atendidos com deferncia pelo mattre e conduzidos a uma mesa que dava vista para os jardins.
        Um garom apareceu para anotar os pedidos. A me de Drew inclinou-se sobre a mesa para elogiar o vestido de Holly e nesse momento dois casais entraram ocupando 
uma mesa no muito distante da deles.
        Pelo canto dos olhos Holly reconheceu a figura familiar de Howard e encheu-se de cime ao perceber que Rose vinha na direo deles, sorrindo amavelmente 
para o pai e a me de Drew. Parou perto da mesa, ficando de costas para Holly e excluindo-a totalmente da conversa.
        Holly reparou que Rose tocava no brao de Drew e controlou-se para no levantar-se e empurr-la. Ela no tinha o direito de agir assim, afinal, estava noiva 
de Howard. Deveria estar l com ele, e no aqui oferecendo-se toda a Drew...
        Somente quando o garom chegou, trazendo o primeiro prato, foi que Rose decidiu-se a voltar  prpria mesa.
        -  Por que no tomamos caf todos juntos depois do almoo? Mame comentou recentemente que faz muito tempo que no v vocs!
        Holly no conseguiu mais se controlar. Sem medir as consequncias, colocou a mo no brao de Drew, percebendo vagamente que ele a olhava de maneira estranha.
        -  Drew, querido, voc me prometeu mostrar o jardim depois do almoo.
        Rose encarou-a com uma expresso agressiva. Estava com cime.
        -  Sinto muito, Rose. Realmente prometi a Holly que a levaria para um passeio. Talvez numa prxima vez.
        Derrotada, Rose afastou-se, mas no sem dirigir um olhar de dio em direo a Holly.
        Apesar da presena calma da me de Drew e da conversa agradvel de James, Holly no conseguiu recuperar o equilbrio. Mal tocou na comida e seu estmago 
doa pela tenso que experimentara. Notou que Drew a olhava, colocou os talheres sobre os pratos e comeou a tremer.
        -  Holly...
        O som da voz dele deixou-a ainda mais tensa.
        -  Holly, voc no parece bem. H algo errado?
        Ele pareceu to preocupado que lhe deu vontade de chorar. Levantou os olhos e notou que tambm os pais dele estavam preocupados. Estragara o almoo de todos, 
transformando uma ocasio que poderia ser to agradvel num completo desastre.
        Respirando fundo Holly forou um sorriso.
        -  No, est tudo bem. Acho que meus olhos foram maiores do que meu estmago... Fiquei bastante impressionada com Nantwich, Louise. Acho que ser o lugar 
ideal para o nosso negcio. Estou morrendo de vontade de trazer Janet para c.
        -  E eu ansiosa para conseguir sua ajuda na reforma da nossa sute de hspedes. J faz algum tempo que estou precisando mudar algumas coisas, mas no tive 
coragem ainda. Agora, recebi uma carta de Lucy dizendo que talvez venha para o Natal e que vai trazer um amigo.
        -  Amigo? - Drew perguntou.
        -  Um jovem que ela conhece h algum tempo. Naturalmente, no quero que ela sinta vergonha de ns e da casa - Louise explicou.
        -  Ora, vamos l, est arrumando desculpas e sabe disso - Drew brincou.
        -  Bem, na realidade, a sute est necessitando ser redecorada, e imaginei se Holly teria alguma ideia interessante principalmente com relao ao banheiro. 
Poderia dar um pulo at a fazenda, um dia da prxima semana, e discutir o assunto.
        -  Hei, espere um pouco. No posso deix-la levar Holly ainda. Acho que ter de esperar sua vez na fila, pois, assim que ela terminar a cozinha, gostaria 
de que mudasse algo em meus banheiros.
        Holly no pde conter uma exclamao de surpresa.
        -  Voc no disse nada antes a respeito dos seus banheiros - Holly protestou.
        -  Esperava o momento adequado.
        -  No terminei a cozinha e talvez depois de ver o resultado no deseje que eu chegue perto dos seus banheiros.
        Para sua surpresa, Drew estendeu a mo e tocou-lhe o rosto gentilmente, segurando o queixo entre os dedos.
        -  Esta  minha Holly. Sempre muito modesta - ele falou em tom suave.
        O contato leve de sua mo contra a pele sensvel a fez estremecer e pareceu que nesse momento estavam sozinhos no salo.            
        -  Drew, se voc e Holly j terminaram de almoar, por que no a leva at o jardim? - sua me sugeriu.
        Ambos a olharam, como que surpresos de v-la ali com eles.
        -  Sim, venha. E enquanto estivermos l fora farei o possvel para persuadi-la a dar seu toque mgico em meus banheiros antes que minha me consiga tir-la 
de mim.
        -  Deseja mesmo que eu redecore seus banheiros? - Holly perguntou, j do lado de fora.
        -  Sim, mas primeiro desejo beij-la - Drew falou com a voz to rouca que a fez olh-lo com curiosidade, dando-lhe a chance de empurr-la para baixo de umas 
altas palmeiras.
        -  Drew - Holly protestou.                                     
        Mas ele j a abraava e colava o corpo ao seu, acariciando-a gentilmente. Seu beijo foi suave a princpio, tornando-se mais exigente  medida que percebia 
que Holly correspondia com ardor.
        Quando abriu os olhos, tonta de prazer e desejo, percebeu que podiam ser vistos da sala do restaurante.
        -  Drew, no. Todos podem nos ver - ela murmurou.
        Mal conseguiu articular essas palavras e foi silenciada pela presso dos lbios de Drew nos seus e quando finalmente ele parou de beij-la, sentiu certo 
desapontamento.
        - Sinto muito. Mas no podia perder esta oportunidade.
        No mesmo instante, Holly sentiu-se gelar, percebendo que ele a beijara deliberadamente, sabendo que seriam vistos... e queria que fossem vistos.
        No era culpa de Drew, se tudo aquilo a machucava tanto. A inteno dele era de reforar o plano que imaginaram e na realidade Drew desconhecia seus verdadeiros 
sentimentos por ele.
        -  Est gelada, Holly. Deveria ter percebido que o vento est muito frio. Quer que eu v at l dentro e pegue seu casaco? Se quiser poder descer por esta 
alameda e achar um interessante lago com peixes. Eu a encontrarei l.
        Como Drew estivesse demorando muito, subiu de novo pela alameda e parou abruptamente no meio do caminho ao v-lo conversando com Howard e Rose, a qual falava 
com ele, sorrindo, enquanto Howard esperava ao lado.         O que ela estaria dizendo? Drew a amava e devia adorar cada palavra que ouvia.
        De repente, ele virou a cabea e a viu, Holly esperou que ele acabasse de conversar e observou suas passadas largas, enquanto vinha em sua direo.
        Seu corao acelerou-se com alegria, ansiosa por t-lo perto de si. At suas simples palavras de desculpas por ter demorado pareciam especiais, mas ele no 
lhe contou sobre o que conversara com o casal.
        -  O que Rose queria? - perguntou bruscamente, incapaz de se controlar mais.
        No olhou para ele, mas fingiu estar observando a paisagem; uma rajada forte de vento vinda de no se sabe onde desarrumou seu cabelo, jogando uma mecha 
sobre seus olhos. Levantou a mo para tir-la, mas Drew fora mais rpido e sentiu o contato quente de seus dedos.
        -  Desculpe. No deveria ter perguntado. Pelo menos, nosso plano parece que est funcionando - Holly comentou.
        -  Voc deveria ter se juntado a ns, para que Howard percebesse o que ele est perdendo.
        Holly riu sem jeito.
        -  Ele observava voc - Drew falou em tom seco e por alguma razo parecia zangado. -- Venha, vamos entrar. Voc est ficando gelada.
        Ao encontrarem Louise e James, Drew informou-lhes que iria levar Holly direto para casa. Colocou os braos em volta de seus ombros, tentando transmitir-lhe 
um pouco de calor.
        -  Bem, no sei quando vocs dois pretendem se casar, mas se houvesse possibilidade gostaria de que deixassem para depois da vista de Lucy. Parece que ela 
pretende ficar dois meses.
        Casar? Holly sentiu o corao dar um pulo, enquanto pensava numa resposta adequada. Mas, uma vez mais, Drew respondeu por ela.
        -  Tudo depende de quando os pais de Holly podero vir.
        -  Naturalmente, mas um casamento no inverno seria to romntico...
        Holly meneou a cabea, sentindo uma grande vontade de lhe confessar a verdade. Porm foi impedida pela presso dos dedos de Drew nas suas mos, como se ele 
adivinhasse suas intenes.
        - Bem, ento nos veremos novamente na festa de aniversrio da condessa. Eu lhe telefonarei Holly, dizendo quando irei visit-la - Louise falou, enquanto 
se dirigiam para o estacionamento.
        Holly esperou at que estivessem acomodados no banco do carro.
        -  Drew, sua me pensa que vamos nos casar. Eu... detesto engan-la dessa forma. Pense como se sentir quando descobrir a verdade.
        - Que voc est apaixonada por outro homem? Na verdade, poderia esquecer que Howard existe e casar-se comigo!
        -  No  nada engraado, Drew.
        Drew no respondeu, mas Holly teve a leve sensao de que o deixara zangado novamente.
        Quando chegaram  fazenda, o sol j se pusera. O cu estava escuro e o vento frio soprava forte.
        - Se a temperatura continuar caindo, logo teremos neve - Drew anunciou laconicamente ao desligar o carro.
        -  Mas ainda estamos na metade de novembro - Holly protestou.
        - No se lembra mais? J tivemos neve em novembro durante seu ltimo ano na escola.
        Voltando atrs em suas recordaes, percebeu que era verdade.         Estranho Drew se lembrar disso to bem.
        -  Nesse dia, o nibus escolar no passou e eu dei uma carona para voc e Rose na minha caminhonete.
        Oh, agora entendia a razo de tal lembrana!



Capitulo IX


        Drew estava certo sobre a neve. Os primeiros flocos comearam a cair trs dias mais tarde, logo depois da visita da me dele  fazenda.
        Holly adiantara bastante seu trabalho nos armrios da cozinha e Louise ficou muito impressionada com o efeito obtido e anunciou enfaticamente que contava 
com Holly para redecorar sua sute de hspedes.
        Entretanto, ao se despedir, Louise disse algo que atingiu Holly como uma bomba.
        - Estou muito contente por voc e Drew, querida. Sempre reno a famlia no Natal; em geral fao nossa ceia aqui na fazenda, pois nossa sala no  suficientemente 
grande. Quero ter certeza de que todos estejam presentes este ano para que possam conhecer voc. Espero que Drew lhe d o anel de noivado em breve, pois pretendo 
fazer uma comemorao especial na ocasio.
        Na realidade, o que ela estava querendo dizer  que pretendia preparar uma festa de noivado para eles, Holly pensou e agora sentada na cozinha, segurando 
a xcara de caf entre as mos, imaginava como iria contar a Drew.
        Continuava sentada ali, observando os flocos de neve que caam com mais intensidade, quando Drew entrou.
        -  Minha me veio como prometeu, no  mesmo?
        - Sim. Oh, Drew... Uma coisa horrvel aconteceu... Ela me contou que pretende dar uma festa de Natal e espera que fiquemos noivos nesse dia.
        Drew estivera olhando para ela, observando a variedade de emoes estampadas em seu rosto, mas subitamente virou-se de costas. Quando falou sua voz era rouca 
e estranha.
        -  E o que voc lhe disse?
        - Nada. Que poderia dizer? J estou me sentindo pssima por estar mentindo.
        - Humm... talvez no fosse m idia. Quero dizer, ficarmos noivos. Poderia ser o empurro que nossos ex-parceiros estejam precisando.
        -  Oh, Drew, no. Como poderamos fingir, quando ambos sabemos que no seria verdade. Estamos indo longe demais.
        -  Minha famlia ficar chocada - Drew comentou, afinal no so pessoas sofisticadas da cidade e voc est morando aqui comigo. Precisarei lhes comunicar 
que voc pretende seguir um velho costume e que no se casar at que eu prove que posso lhe dar um filho.
        Holly corou ao ouvi-lo fazer referncia a um hbito antigo entre as pessoas do campo, pelo qual um casal s se casar quando a noiva provasse que poderia 
dar um filho a seu marido.
        -  Pare de brincar, Drew. Estou realmente preocupada.
        Naquela noite Holly teve pesadelos. Sonhou que conversava com Drew e de repente uma multido interps-se entre eles, separando-os e por mais que lutasse 
no conseguia passar por entre as pessoas para reencontr-lo.
        Chamava seu nome, repetidas vezes, cada vez mais alto at que sentiu soluos sacudirem seu peito.
        Acordou, de repente, tremendo sob os cobertores, a garganta seca e sentindo que ia chorar a qualquer momento.
        Conhecia Drew h tanto tempo! Haviam sido amigos quando jovens e, mais tarde, insensivelmente desprezara-o. Achava-o caipiro e aborrecido. Chegara at, 
que loucura, a achar que Rose estava certa em preferir Howard a ele.
        Revirou-se na cama, seria impossvel voltar a dormir. Alcanou o roupo e resolveu descer. Sentaria perto do fogo para se esquentar e talvez preparar um 
ch.
        Os degraus da escada rangeram sob seus ps. Sons agradveis e confortantes, sons de uma velha casa que conhecera, onde presenciara muitos momentos de alegria 
e lgrimas, Holly pensou melanclica.
        Ao acender a luz da cozinha, notou que o gato se espreguiava e miava, dando-lhe as boas-vindas. L fora, o cu clareara. A lua espalhava uma luz brilhante 
e fria sobre a paisagem coberta de neve. O jardim estava totalmente branco, exceto nos lugares em que o gato deixou suas pegadas.
        Holly encheu a chaleira de gua e acendeu o fogo. Enquanto esperava a gua ferver comeou a imaginar como seria no Natal a festa que a me de Drew planejara 
dar. Olhou a sua volta e observou a cozinha, pensando na mulher que um dia a usaria. Sem dvida no seria ela... Rose? Talvez.
        A gua comeou a ferver, e com os olhos marejados de lgrimas levantou-se para apanhar a chaleira, mas bateu com o cotovelo no pote de ch que caiu no cho, 
com estrondo, quebrando-se em pequenos pedaos.         Um dos cacos atingiu seu dedo, fazendo-o sangrar. Holly deu um gemido e levou-o  boca para estancar o sangue.
        - Holly, o que aconteceu? - Drew perguntou, entrando rapidamente na cozinha. Ele parecia ter despertado de um sono profundo. O peito nu aparecia sob o robe 
aberto e tinha uma expresso assustada.
        - Sinto muito. Quebrei o pote de ch - Holly respondeu com voz rouca e para seu desespero, desatou num choro convulsivo.
        No instante seguinte estava nos braos de Drew, com a cabea encostada em seus ombros e abafando os soluos em seu robe. Ele a pegou no colo, apesar de seus 
protestos, para que ela no se machucasse ainda mais com os cacos de vidro. Drew parou para apagar a luz e fechar a porta, enquanto sussurrava nos ouvidos de Holly 
palavras suaves de conforto. L em cima, levou-a ao quarto, franzindo a testa ao notar como o aposento estava frio.
        -  Abri a janela e depois no consegui mais fech-la - Holly replicou.
        - Est frio demais para dormir aqui. A temperatura caiu mais de dez graus hoje. Pode dormir no meu quarto e eu usarei este.
        - Drew, voc no pode fazer isso. - Mas era intil protestar. J estavam no meio do corredor quando Drew abriu a porta do quarto dele com o ombro e colocou-a 
na enorme cama, macia e aconchegante.
        - Sente-se melhor? - ele perguntou gentilmente, sentando-se ao lado dela e afastando uma mecha de cabelo de seu rosto.
        Holly o olhou e o quarto comeou a rodopiar ao notar a expresso no rosto dele.
        Desejo... Anseio... Os olhos dilatados, as feies contradas eram sinais das emoes que experimentara no espao de alguns segundos, o velho amigo transformara-se 
em amante exigente.
        -  Drew... No podemos deixar que nossos sentimentos por Howard e Rose nos faam cair numa armadilha.
        Era difcil fingir que no percebia suas intenes... a repetitiva e selvagem determinao de fazer amor com ela.
        -  Isto significa que no me deseja? - ele sussurrou. Como poderia no desej-lo? A verdade aparecia em seus olhos. Ouviu-o dar um gemido rouco de satisfao 
e fechou os olhos hipnotizada.
        -  Sim, desejo voc. Oh, Drew, por que me fora a dizer o que no posso?
        - Talvez, porque esteja vulnervel. Quando um homem  rejeitado sexual e emocionalmente, quando ele vem sofrendo por tanto tempo como eu venho, Holly,  
um alvio saber que pelo menos sou desejado. Faz com que me esquea de tudo que deveria me lembrar. Oh, Deus, adoro ter voc em meus braos. Sabe que quero fazer 
amor com voc, no  Holly?
         claro que soubera no momento em que ele a pegara no colo.
        -  Drew, no sou Rose. Sabe que no tenho experincia... Esta ser a primeira vez que fao amor. Howard...
        -  Esquea Howard. Prometo-lhe que ser muito bom, meu bem.
        -  Como nos livros?
        - Melhor, muito melhor. Deixe-me mostrar-lhe... No era certo. Ele no a amava, mas ela apaixonara-se por ele e seu corpo ansiava pelo dele. Havia uma estranha 
fatalidade pairando sobre eles, fazendo com que todos os caminhos os levassem a viver este instante.
        Agora que chegara o momento, no sentia medo, nem dvidas. Apenas uma alegria imensa e a certeza de que aquilo estava fadado a acontecer.         Mesmo sem 
amor, Drew lhe daria prazer, considerao e respeito.
        - Se fizer algo que a machuque ou a ofenda, Holly, por favor diga-me. E voc ter mesmo de me dizer porque meu desejo por voc  tanto, que no sei se serei 
capaz de me controlar - ele sussurrou.
        Drew segurou a mo de Holly e colocou-a sobre seu corao. Batia forte contra sua palma. Holly comeou a acarici-lo tentadoramente, apertando a carne quente 
e mida daquele corpo msculo. Drew segurou-lhe o queixo, colocando a boca sobre a sua, passando a lngua de leve sobre os seus lbios, atormentando-a. Depois com 
violncia, separou os lbios, fazendo-a sentir o contato de sua lngua. Holly sentiu um frmito de prazer sacudir-lhe o corpo e seus mamilos endureceram.
        Levantou os braos e enlaou o pescoo de Drew, enfiando os dedos no cabelo macio. Instintos jamais imaginados guiavam seu corpo. Enterrava as unhas ternamente 
na carne macia provocando-lhe gemidos de prazer.         Drew levantou a cabea para olh-la e seus olhos brilhavam de desejo.
        Holly segurou o rosto dele com ambas as mos, sentindo o contato spero de sua barba e comeou a acarici-lo lentamente.
        Incapaz de suportar esse tormento, Drew agarrou a mo que o provocava e a levou  boca, lambendo as pontas dos dedos um a um e mordiscando a carne sensvel 
como que punindo-a por atorment-lo.
        Drew moveu-se e deitou sobre ela. Mesmo atravs do tecido grosso da camisola os seios de Holly responderam ao calor e  proximidade daquele homem que amava.
        - Deixe-me v-la, Holly. Deixe-me toc-la - Drew implorava, e seu tom de voz era o de um homem que experimentava um sentimento incontrolvel.
        Holly sentiu-se feliz por despertar tais sensaes e, ao perceber que ele a despia, arqueou o corpo orgulhosa, satisfeita por saber que era assim to desejada.
        Os dedos de Drew tremiam ao pass-los delicadamente em volta de seus seios, quase tocando a aurola de pele escura que os coroava. Desceu as mos at a cintura 
e pressionou sua pele com firmeza.
        -  Sim. Sim, Drew. - E para seu prprio espanto tomou as mos dele entre as suas, colocando-as sobre seus seios. Ento deixou-se acariciar, tocar, apertar, 
descobrindo algo sobre o prprio corpo que jamais pensara existir. O mundo rodopiava a sua volta e fechou os olhos, abrindo-os abruptamente segundos mais tarde, 
ao sentir o calor da boca de Drew na sua carne.
        Respirava com dificuldade, delirando de prazer. Como ele sabia que ela necessitava daqueles carinhos, necessitava sentir o calor de sua lngua nos mamilos 
intumescidos? Deixou escapar um grito quando as carcias tornaram-se mais incisivas e seu ventre movimentou-se em ondas convulsivas de prazer.
        -  Holly, Holly...
        Instintivamente o corpo de Holly adaptava-se ao dele, abrindo-se para receb-lo.
        Drew ansiara tanto por este momento, esperara tanto... e, agora, sabia que no poderia possu-la sem nada lhe dizer.
        Holly percebeu a tenso no corpo dele e abriu os olhos. Drew mudara de idia. No a desejava mais. Percebia isso repentinamente na frieza de sua pele, na 
tenso de seus msculos.
        -  Holly - ele comeou a falar e ela adivinhou suas palavras. Iria dizer que deviam parar, que...
        No, no deixaria que isso acontecesse. No permitiria que a rejeitasse, iria mostrar-lhe que poderia agrad-lo mais do que Rose e lhe daria muito mais amor. 
Colocou o dedo em seus lbios, silenciando-o.
        -  Por favor, no pare, Drew. No agora... No agora.  - implorou, cobrindo seu peito e pescoo com pequenos beijos que o fizeram gemer e corresponder ao 
seu apelo.
        Vencera. Ele no a rejeitaria. Feliz, deixou que ele tomasse conta de seu corpo trmulo... e a possusse.
        Holly sentiu uma leve sensao de dor espalhar-se pelo corpo, deixando ambos imveis por alguns segundos. Ao sentir que a dor desaparecia movimentou-se e 
Drew, como se no pudesse mais controlar, extravasou o desejo intenso que o consumia.
        Mais tarde... recordando-se dos momentos que tiveram juntos, Holly percebeu como devia ter sido difcil para Drew controlar seus impulsos no intuito de acompanh-la 
e gui-la em sua inexperincia. O prazer de senti-lo movendo-se dentro dela fazia com que respondesse freneticamente at que ele a segurou pelos quadris e mostrou-lhe 
como mover-se, num ritmo nico, e logo seus corpos tornaram-se um s.
        Sem saber exatamente como, percebeu os primeiros tremores de orgasmo, tensionou os msculos e Drew pensou que a tivesse machucado.         Mas ao olhar nos 
olhos de Holly, percebeu o que acontecia e murmurou ao seu ouvido:
        - Relaxe, meu bem. Deixe acontecer...
        Obedientemente, Holly soltou-se e Drew percebeu as deliciosas e pequenas convulses envolvendo-lhe o tenso membro.
        Holly arranhara suas costas, beijava-o sem parar, chamando-o para que se juntasse a ela naquele instante mgico, quando apenas a doce satisfao de ambos 
contava.
        Juntos completaram a travessia. Momento raro, de inexplicvel emoo, como se o tempo por um instante parasse de correr. Um momento de comunho que Holly 
iria guardar para sempre em sua memria.
        Horas depois, sob o calor aconchegante das cobertas, adormeceram abraados. Holly sentia-se protegida pelo abrao e pelo peso de uma perna dele sobre a sua.
        Olhos fechados, aconchegou-se mais a ele e pensou ter escutado um leve murmrio ao seu ouvido:
        - Eu te amo, Holly. Eu te amo.
        Mas era apenas um sonho. No podia ser verdade. Drew amava outra mulher.



Capitulo X


        Holly acordou tarde. O corpo doa agradavelmente e sentia-se diferente.
        Abriu os olhos, ainda meio tonta, e se perguntou por que Drew estaria sentado ao seu lado na cama, observando-a com um olhar srio. Parecia preocupado.
        L fora o sol brilhava, fazendo cintilar a neve que cobria os telhados. Estranhamente, no pareciam os mesmos telhados que via de sua janela todas as manhs.
        -  Drew... - comeou a falar, insegura, e de repente, lembrou-se de tudo. Sentiu a pele arder e encarou-o com os olhos muitos abertos. Viu que ele esticava 
o brao para toc-la, mas encolheu-se sob as cobertas, fugindo, no dele, mas de si mesma.
        -   Holly, precisamos conversar. Ontem  noite...
        -  Oh, Drew, no! No quero falar sobre isso... Sei como se sente... No deveria ter permitido...
        - Entendo. - Imediatamente Holly notou que suas palavras o machucaram e ficou confusa. Imaginava que ele se sentiria aliviado, ao ver como ela se comportava 
sensatamente. Estava prestes a lhe dizer que no o culpava de nada e que sabia que ele ainda amava Rose, quando ele se levantou da cama e dirigiu-se  janela.
        - Imagino que depois de ontem  noite, gostaria de que eu fosse embora - Holly falou com voz rouca.
        - Embora? Oh, no, Holly, no pode fazer isso. Fizemos um trato, lembra-se?
        Holly umedeceu os lbios com a ponta da lngua e imediatamente desejou no ter feito esse gesto. Seus msculos se retesaram  lembrana do prazer que experimentara 
poucos momentos atrs.
        Desejava-o! Desejava-o novamente. Ansiava para que ele a tomasse nos braos e a acariciasse como fizera durante a noite.
        - Se eu lhe der minha palavra de que no a tocarei novamente, voc fica, Holly? Pelo menos at a festa de aniversrio da condessa?
        Holly apegou-se agradecida  oportunidade que o destino lhe oferecia para ficar, embora l no fundo de sua mente se censurasse por isso.
        -   Se  assim que deseja...
        -  O que desejo...? O que desejo ... Bem vou sair para que se vista. Devo ficar fora o dia todo. Talvez tenhamos mais neve e preciso estocar alimentos para 
as ovelhas.
        Drew tinha um pequeno rebanho de ovelhas premiadas que ficava nos pastos menos frteis da fazenda, e com os campos cobertos de neve tudo deveria ser provido 
para os animais.
        -  Devo voltar somente  tarde, Holly. Espero que cumpra sua palavra. Imagine como ficaria meu conceito se conseguisse perder duas namoradas em to curto 
espao de tempo...
        -  No partirei - ela prometeu solenemente e por um momento, ao v-lo hesitar, teve a impresso de que iria voltar a beij-la. Porm, deve ter resistido 
ao impulso, pois abriu a porta e saiu do quarto.
        Holly levantou-se em seguida. A verdade apareceu aos seus olhos como um filme. Ela e Drew eram amantes! Um arrepio percorreu-lhe o corpo todo ao lembrar 
da noite anterior. As manchas vermelhas que se formavam em sua pele mostravam o modo selvagem e intenso com que fora amada.
        Era difcil comportar-se como se nada tivesse acontecido, mas era preciso. Devia agir sofisticadamente, como Rose agiria em tal situao. Ia ser difcil, 
muito mais difcil do que antes.
        Suspirando, desceu as escadas e preparou algo para comer. Em seguida, depois de levar e guardar a loua, sentou-se e comeou a trabalhar. Necessitava de 
muita concentrao para desenhar e isto a ajudou a colocar seus pensamentos em ordem.
        Seu estmago avisou-lhe quando era hora do almoo e deixou o que estava fazendo para esquentar a sopa que havia preparado no dia anterior.         Se estivesse 
em Londres, teria aberto um lata, mas aqui no campo isto lhe parecia um crime. Aprendera a cozinhar com sua me e sentira-se orgulhosa quando Drew, no dia anterior, 
elogiara sua comida, dizendo que estava melhor do que a da me dele. Ser que voltaria um dia a se sentir  vontade na presena dele? Conseguiria olhar para ele, 
sem pensar no cheiro de sua pele, no prazer que lhe poderia dar? Sentiu-se invadida por uma onda de desejo e olhou, sem ver, pela janela.
        Acabara de se servir de sopa quando viu a caminhonete de Drew entrando no ptio. O corao comeou a bater mais rpido e suas palavras enfraqueceram.
        Logo depois, Drew entrou, sacudindo os flocos de neve da jaqueta.
        -  Pensei que no viesse almoar - Holly comentou.
        -  Mudei de ideia - ele respondeu em tom spero.
        Apesar do brilho saudvel de sua pele, parecia cansado. Teria voltado para certificar-se de que ela manteria a promessa? De que no iria embora?
        - No partirei, Drew. S irei quando voc me pedir - ela falou gentilmente.
        Ele aproximou-se e colocou ambas as mos em volta de seu pescoo, olhando-a com expresso sria.
        -  Cuidado com as promessas que me faz, Holly. Pode acontecer que eu jamais lhe pea para partir.
        Holly fechou os olhos, e por um momento deixou-se ficar acreditando que era verdade o que ele dizia. A contragosto, juntando todas as foras, abriu os olhos.
        -    Drew, no podemos esquecer de Rose e...
        -   E Howard. Bem, pelo menos agora, ele no poder acus-la de ser inexperiente. Foi por isso que fez amor comigo ontem  noite, Holly? Pensou que tornaria 
Howard mais... - Drew perguntou-lhe com crueldade.
        -  No... no... Voc sabe que no foi por isso. Drew, como pode pensar algo assim?
        Holly escutou-o gemer e em seguida a abraou. Podia ouvir as batidas fortes do corao contra seus seios.
        -  Desculpe, Holly - ela escutou-o murmurar enquanto afagava-lhe os cabelos. Ento beijou-a avidamente, como um homem muito, muito faminto.
        Quando a soltou, a cor desapareceu de sua fisionomia.
        -  Talvez esteja certa em desejar partir. Mas no v ainda Holly. Espere at a festa da condessa, como j combinamos. Voltaremos a conversar, ento. Est 
bem?
        Ela assentiu, abalada demais para falar. No fora um beijo de desculpas, mas sim um beijo de paixo.
        Talvez as palavras bblicas estivessem certas. A ma do desejo, uma vez provada, no seria facilmente deixada de lado. O desejo nem sempre precisa ser acompanhado 
de amor.
        Qual seria a razo de sua insistncia para que ficasse ali at a festa da condessa? Talvez precisasse de tempo para inventar uma histria para Louise, sua 
me. Ou talvez desejasse uma ltima oportunidade para provocar um rompimento entre Rose e Howard. Mas Howard no estaria na festa... Rose, sim. Talvez tivesse esperana 
de que a ex-namorada vendo-se sozinha se decidisse de uma vez a seu favor. Ultimamente, ela mostrava bastante interesse no seu antigo amor. Muito mais do que Howard, 
que quase no demonstrava nenhum interesse por Holly. Mas no tinha importncia, Holly pensou. O ltimo homem que gostaria de ver no momento era Howard.
        Drew pareceu evit-la nos dias que se seguiram. Trabalhava durante horas, voltando exausto. Logo depois que acabavam de comer, fechava-se no escritrio alegando 
ter de colocar a contabilidade em dia.
        Holly, por sua vez, dedicou-se ao trabalho de corpo e alma, concentrando-se em aplicar o delicado desenho nas portas recm-pintadas dos armrios. Ao delinear 
o contorno das pequenas folhas, tentou no pensar em Rose trabalhando naquela cozinha, usando os armrios que Drew to bem construra...
        Pela manh conversara com Janet ao telefone, contando-lhe que at o momento a vila de Nantwich parecia o melhor local para instalar a nova loja. Janet ficara 
to entusiasmada, que Holly no teve coragem de lhe confessar que estava relutante em aceitar a sociedade. No sabia se seria sensato permanecer to prxima de Drew. 
Talvez o melhor fosse voltar o mais rpido possvel para Londres.
        Entretanto, tinha conscincia de que profissionalmente no haveria outra oportunidade como esta e precisava cuidar de sua carreira.
        Drew era o homem de sua vida. Sem ele no haveria nem casamento, nem filhos. Tinha certeza disso. O que lhe restava era somente o trabalho.
        Recortara alguns anncios de imveis e um em particular lhe chamara ateno. Um prdio antigo em Nantwich, com loja no trreo e um espaoso apartamento no 
andar de, cima, alm de um grande jardim nos fundos.
        O preo estava dentro dos limites que ela e Janet haviam estabelecido e desejava dar uma olhada sem perda de tempo. Seu carro estava l fora e poderia dirigir 
at Nantwich se quisesse. Sabia, porm, que se fosse, estaria dando o primeiro passo para permanecer prxima de Drew. Condenava-se a viver perto do homem que amava 
e que jamais seria seu. Concentrou-se novamente no trabalho, tentando adiar a deciso que mais cedo ou mais tarde teria de tomar.
        Bem, resolveria tudo mais tarde, aps a festa e depois que Drew e ela inventassem uma forma de terminar seu suposto relacionamento, pois tinha certeza de 
que era isso que ele desejava.
        Holly lembrou-se de que quando seus pais iam  festa da condessa costumavam levar um presente e assim que Drew chegou mencionou o fato a ele. Notou que ele 
observava a pilha de jornais sobre a mesa e falou, mostrando insegurana:
        - Os jornais chegaram esta manh. H um imvel anunciado que parece ideal. Fica em Nantwich e Janet pediu-me para v-lo com urgncia.
        -    Quando pretende ir?
        - Depois... depois da festa da condessa - ela respondeu rapidamente.
        -    Ento, ainda pretende aceitar a sociedade e... continuar por aqui?
O olhar satisfeito de Drew deixou-a intrigada.
        -  Sim. Profissionalmente  uma oportunidade muito boa para se deixar passar.
        -  E Howard? Se ele romper com Rose, no dever continuar trabalhando com o pai dela.
        Por um momento teve dificuldade em se lembrar quem era Howard. Mas de repente, tudo se clareou em sua mente e sentiu vontade de lhe dizer que no se importava 
mais com Howard ou com o que ele fazia ou deixava de fazer.
        -  Resolverei o problema no momento oportuno - ela respondeu em voz baixa e voltou a perguntar sobre o que poderiam dar de presente  condessa.
        -  Ela  grande apreciadora de antiguidades e conheo um bom lugar em Chester onde encontraremos algo interessante. Poderemos ir no  sbado e almoar  em 
Grosvenor.
        Afinal, Drew ainda desejava passar algum tempo em sua companhia. Ele a evitara durante toda a semana e agora, para sua surpresa, sugeria que passassem um 
dia juntos.
        - No gostaria de atrapalhar. Sei que tem estado ocupado ultimamente - Holly retrucou mal conseguindo esconder a alegria.
        Drew virou-se e pareceu a Holly que ele murmurava algo.
        -  Sim, ocupado tentando tirar do meu pensamento que voc no fingiu naquela noite, mas me amou de verdade.
        Porm as palavras soaram roucas e baixas e Holly disse a si mesma que eram fruto de sua imaginao.
        Parara de nevar no sbado, e o dia amanhecera claro e brilhante devido  geada. Era um tpico dia de novembro, Holly pensou, recordando-se dos tempos em 
que ainda morava ali.
        Abriu o guarda-roupa e observou as roupas penduradas. No tinha realmente muito o que escolher, pois Janet no mandara muita coisa. Decidiu-se pelo vestido 
vermelho novamente e pelo agasalho preto, que pelo menos lhe caam muito bem. Drew usava o bluso que ela escolhera e, enquanto se dirigiam para o carro, desejou 
ser livre para poder lhe falar como parecia msculo e desejvel.
        As roupas novas no haviam modificado o homem que ele era, nunca poderiam, mas haviam valorizado sua aparncia e seu fsico atltico, tornando-o muito mais 
atraente.
        As ruas de Chester estavam lotadas, cheias de gente fazendo as primeiras compras de Natal e Holly gostou de todo aquele movimento e o sentido de comunidade. 
Sentiu-se em casa, satisfeita e  vontade.
        Holly sorriu ao ver um grupo de crianas de p em volta de um palhao que fazia acrobacias. Jovens msicos tocavam nas esquinas, alegres e sorridentes; era 
uma forma nova de os estudantes ganharem algum dinheiro e os transeuntes pareciam apreciar tudo aquilo, sendo muito generosos com o dinheiro que jogavam no chapu 
virado.
        Natal. Um pensamento triste de repente lhe veio  mente. Onde estaria nessa poca? De volta a Londres no seu apartamento solitrio? No ano anterior passara 
o Natal com Janet. Provavelmente a convidariam novamente este ano, mas ainda no se sentia totalmente  vontade com os amigos sofisticados que frequentavam a casa 
deles.
        Talvez, se tivesse dinheiro e tempo, tomasse um avio e fosse visitar seus pais. Seria bem-vinda, com certeza.
        Entretanto, se lhe pedissem para escolher no teria dvidas. Havia apenas uma pessoa com quem apreciaria comemorar tal data. Drew.
        Levantou a cabea para olh-lo e constatou que ele a observava com expresso sria.
        -   No chore, Holly. Ele no  digno de uma nica lgrima sua, droga! - Drew acrescentou em tom spero e, para seu espanto, abraou-a no meio da rua, apertando-a 
forte e beijando-a ternamente nos cantos dos olhos.
        Holly desejou ficar assim para sempre e realmente teria ficado se uma turma de adolescentes barulhentos no os tivesse separado.
        -  Seria melhor procurarmos o presente da condessa - ela murmurou.
        -      Sim. Venha por aqui.
        -    Que interessante! - Holly comentou, ao pararem diante da loja.
        A pequena loja de antiguidades estava cheia de tesouros e em outra ocasio Holly teria passado o dia vasculhando o lugar.
        Enquanto observavam o dono do lugar guardando numa velha caixa o presente que escolheram, Holly no pde deixar de pensar onde estaria no prximo aniversrio 
da condessa. Provavelmente no com Drew. Nunca mais com ele...
        O restaurante estava lotado, o que era bom, Holly pensou. A agitao a impedia de pensar e tornava impossvel qualquer tipo de conversa.
        Assim que acabaram de comer resolveram andar um pouco a p pelas ruas, quando Drew lhe perguntou se gostaria de telefonar para sua me e Holly balanou a 
cabea negativamente. O dia fora bastante cansativo e no havia nada a dizer a Louise. O que poderiam lhe contar? A verdade? Que tudo no passara de um joguinho 
inocente em que o amor no contava? Holly desejou que ela fosse capaz de compreender. Pelo pouco que conhecia de Louise, tinha certeza de que sim.
        Ao voltarem para a fazenda, Drew precisou dar uma olhada na criao.         Holly fez um bule de ch e embrulhou o presente com o bonito papel que haviam 
comprado. Escreveu o carto e atendendo ao pedido insistente de Drew colocou o nome de ambos. Olhou os dois nomes ali juntos e precisou de todo seu autocontrole 
para no desatar em lgrimas.
        Drew j a avisara de que a condessa era famosa pela economia e que o antiquado aquecimento central da manso de Elsworth Park nem sempre era eficiente. Assim, 
escolheu um vestido de l cinzenta, que ainda no usara.
        Era um modelo simples, mas elegante, que se ajustava bem ao corpo. Vestiu as meias finas, tambm escuras, e o nico par de sapatos de noite.
        Olhou-se no espelho e a imagem ali refletida lhe pareceu muito austera, difcil mesmo de despertar qualquer ateno do sexo oposto.
        Entretanto, quando desceu as escadas, Drew observou-a por um longo tempo, em silncio, de uma forma que fez seu corao bater mais forte at que disse para 
si mesma que estava imaginando coisas.
        O traje a rigor de Drew dava-lhe uma aparncia maravilhosa e a vontade de Holly era de aproximar-se dele e tocar os msculos fortes que se revelavam sob 
o tecido fino.                                                                            
        Rapidamente, porm, controlou-se e dirigindo-lhe um sorriso forado pegou o presente da condessa.    
        -   Pronta? - ele perguntou.
        Silenciosamente, ela aquiesceu com a cabea.
        Elsworth Park, residncia da condessa, fora construda no sculo XVIII por um ancestral milionrio e excntrico que, falava-se, havia feito fortuna atravs 
do trfego de escravos nas ndias Orientais. Verdade ou no, essa histria era sempre contada com certa indignao velada pelos moradores locais e pela prpria condessa, 
que se orgulhava da excentricidade aristocrtica da famlia.
        A velha senhora recebia os convidados numa sala que outrora deveria ter sido a sala de estar. Holly achou o ambiente um pouco carregado pelo uso abusivo 
da cor azul, nos estofados e cortinas, mas no pde deixar de admirar o tapete Savonnaire que cobria parte do assoalho.
        Holly foi recebida amavelmente pela velha dama, que se lembrou de imediato de seus pais, querendo saber como estavam e onde moravam. Porm, sua verdadeira 
gentileza foi reservada para Drew. Cumprimentou-o tal qual uma lady do sculo passado receberia seu admirador predileto.
        Observando-os, Holly aplaudiu o tato e a bondade de Drew. Afastou-se discretamente para o lado, deixando-os mais  vontade.
        Ao ouvir a voz familiar de Rose a suas costas, assustou-se, pois no a ouvira aproximar-se.
        Sua antiga colega de escola usava um vestido de noite verde-brilhante, com um decote bastante generoso, que deixava  mostra os braos e ombros bronzeados.
        Particularmente, Holly achou que a cor era forte demais para seu tom de pele, mas no podia negar que o vestido de seda pura, exclusivo, era lindo. Rose 
usava sapatos de cetim da mesma cor, combinando com o vestido. Virou-se para Holly e mediu-a de alto a baixo, observando o vestido simples que ela usava, com certo 
desdm.               .
        -    Drew no lhe avisou que o traje era formal? - Rose zombou.
        Holly no se deu ao trabalho de responder. No faria diferena alguma, afinal.
        -  Deus, por que ele no se descarta da velha coruja? - Rose comentou maldosamente ao ver que a condessa flertava escandalosamente com Drew.
        -    Talvez porque prefira no ser indelicado - Holly respondeu sria.
        Rose ignorou suas palavras e olhou-a.
        -  Ele no vai se casar com voc! Siga meu conselho... Volte para Londres antes que faa papel de tola. Quem sabe conseguir persuadir Howard a reatar com 
voc?
        -    Howard? Mas ele  seu noivo... - Holly protestou.
        -   No  mais - Rose lhe comunicou, e dirigiu a Drew um olhar cheio de segurana.
        Embora no tivesse dito nada, Rose mostrava-lhe que considerava Drew propriedade sua e pretendia t-lo de volta.
        -  Estou realmente surpresa. Para mim voc e Howard formavam o par perfeito. Nasceram um para o outro.
        Rose a encarou e seus olhos azuis eram como duas pedras de gelo.
        -   Drew  meu e ningum vai tir-lo de mim, muito menos uma tolinha como voc.
        Sem dizer mais nada, virou-se e foi para perto de Drew, tomando-lhe o brao e quase arrastando-o para longe da condessa. Holly permaneceu onde estava, imvel, 
incapaz de dizer ou fazer qualquer coisa.
        O plano deles funcionara... mas com amargas consequncias para ela. A noite estava estragada. Imaginou que teria de se resignar a ficar sozinha o resto do 
tempo, mas, para seu espanto, Drew retornou cinco minutos depois.
        -  Por que no falou que no se sentia bem? - Drew indagou ao se aproximar dela.
        -    O qu?
        -   Rose me contou que voc no estava passando bem e gostaria de ir embora.
        Custou a entender o que lhe dizia. Ento ela dissera isso. Era prprio de sua personalidade mesquinha. Quando Rose apareceu e agarrou o brao de Drew, com 
ar de dona, Holly olhou-a indignada.
        -  Oh, ainda est aqui. Olhe, posso pedir ao chofer de papai para lev-la at a fazenda. Est com pssimo aspecto. To plida...
        Sem dvida Holly estava plida, comparada com o bronzeado de Rose.
        -   No h necessidade. Eu mesmo a levarei para casa.
        -  Oh, Drew, no! Voc no precisa ir. Tenho certeza de que Holly no deseja estragar sua noite. Na realidade, penso que ela quer mesmo  telefonar para 
Howard s escondidas. Rompemos nosso noivado, querido. E se Holly  to louca por Howard como ele me falou, deve estar desesperada para falar com ele.
        De repente, Holly comeou a sentir-se mal de verdade. O estmago doa e mal conseguia ficar de p. Odiava Rose como jamais pensara odiar algum.
        Bem distante, escutou a voz tensa de Drew.
        -  Acho que j falou demais, Rose. Vou levar Holly para casa - Drew anunciou, ignorando os protestos da ex-namorada.
        -  A condessa... - Holly sussurrou, enquanto ele colocava os braos em seus ombros e a conduzia para a porta.
        -   Ela entender. Amanh lhe telefonarei explicando tudo.
        L fora, na noite fria, Holly respirou fundo tentando acalmar-se.
        Drew no falou uma palavra durante a viagem de volta, mas Holly percebia que estava tenso e desapontado por ter de deixar Rose na festa.
        Assim que Drew abriu a porta de cozinha, Holly comentou, como se falasse consigo mesma:
        -  Bem, pelo menos nosso plano funcionou. Rose o quer de volta e voc tambm a deseja. Foi gentil da sua parte trazer-me, mas no h necessidade de ficar...
        -  No h necessidade?  verdade, Holly? Quer que eu saia para que possa telefonar implorando a Howard que a aceite de volta?
        -   No!
        Pura revolta embargara-lhe a voz e antes que pudesse se controlar, grossas lgrimas comearam a deslizar pelo seu rosto.
        -   Oh, Deus, Holly! Sinto muito, no queria faz-la sofrer.
        Ele se aproximou e Holly pressentindo o que poderia acontecer, deu um passo para trs.
        -    No me toque, por favor.
        -  Comeo a entender. Devia ter imaginado como voc se sentira. Suponho que no quer voltar para Howard depois do que aconteceu entre ns... Fizemos amor, 
Holly, e foi maravilhoso. Droga! Ser que o fato de Howard jamais ter feito amor com voc no lhe diz nada?
        -   Sim. Fez amor comigo, Drew, porque  um homem muito sensual, e sente desesperadamente a falta da mulher que ama e eu...
        -   E voc o qu, Holly? Lamenta no poder me amar da forma que eu te amo? Lamenta ter feito amor comigo.
        -    Repita o que disse?
        -    Repetir o qu?
        -    Que voc me ama!
        Drew hesitou e depois sussurrou gentilmente:
        -    No sabia ainda? Todo o mundo na cidade j sabe disso.
        -    No... pensei que ainda amasse Rose.
        -   E acha que a teria amado daquela forma? Holly, jamais amei Rose. Ela  uma mulher avarenta e intrigante, e, alm do mais, como poderia am-la se sempre 
estive apaixonado por voc?
        -    Sempre? - Holly murmurou, olhando-o incrdula.
        -  Desde que voc tinha dezesseis anos - ele murmurou tambm, inclinando-se para sentir o tremor dos lbios de Holly, incapaz de resistir  tentao.
        -    Achava mesmo que eu amava Rose?
        -  Voc me fez pensar assim, quando disse que estava inconformado com o noivado deles.
        -  No, voc tirou suas prprias concluses e eu... bem, no podia desperdiar a oportunidade. Quando voc sugeriu que fingssemos estar apaixonados, quase 
no pude acreditar na minha boa sorte. Falei comigo mesmo: se no conseguir faz-la esquecer Howard ento no serei mesmo digno dela. Ser que consegui, Holly?
        -   Desde o incio - Holly admitiu timidamente. - Quando cruzei com Howard em Knutsford, me pareceu um completo estranho. No entendo o que via nele. Parecia 
uma sombra de homem comparado com voc. Mas Rose acabou de me falar que quer voc de volta...
        - Rose  uma oportunista. Ela me deseja h anos, da mesma forma que se deseja um carro novo ou um casaco de peles. Suponho que rompeu com Howard acreditando 
que voc voltaria para ele e ela ficaria para me consolar. Amo voc desde os tempos de colgio, mas voc era ainda uma criana e eu um jovem muito pobre, sem nada 
para oferecer a uma mulher. Os anos se passaram; eu a via apenas ocasionalmente quando voltava para visitar seus pais, mas sentia que no me olhava como a um homem. 
Prometi a mim mesmo que teria voc de qualquer forma e ento, como se o destino intercedesse em meu favor, voc voltou para casa.
        -    E quando fizemos amor? - Holly murmurou.
        -    Fui incapaz de me controlar. Desejava-a h tanto tempo...
        -    No consigo acreditar... parece um sonho...
        -  Acho que deveramos esquecer tudo e continuarmos sonhando, juntos.
        Holly olhou-o e balanou a cabea.
        -  Sim... sim, gostaria muito Drew. Quero acordar de manh e ter voc ao meu lado.
        - E assim ser para o resto das nossas vidas - Drew falou solenemente e beijou-lhe o dedo onde em breve lhe colocaria a aliana.
        -  Escreva aos seus pais, Holly, e peca-lhes para virem o mais rpido possvel. Espero pacientemente desde os seus dezesseis anos e agora minha pacincia 
est se esgotando. Minha me est certa. Voc ser uma linda noiva neste inverno.
        Estava linda, realmente, e como presente de casamento seu marido lhe entregou as chaves da loja de Nantwich.
        -  Dois novos scios em apenas uma semana - Holly brincou, a caminho da lua-de-mel: - Voc e Janet.
        Embora Drew a olhasse forando uma careta, ela sabia que poderia sempre contar com seu apoio em tudo que decidisse fazer. A loja era importante, mas Drew 
era a razo de sua vida e sempre seria.




FIM
